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Correio da Manhã

Política
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Troca de mails na EDP envolve José Sócrates

Ministério Público considerou relevante mensagem enviada por João Manso Neto a António Mexia.
António Sérgio Azenha 26 de Fevereiro de 2019 às 09:00
José Sócrates
José Sócrates
António Mexia
Manuel Pinho
António Mexia com Manuel Pinho, em 2006
José Sócrates
José Sócrates
António Mexia
Manuel Pinho
António Mexia com Manuel Pinho, em 2006
José Sócrates
José Sócrates
António Mexia
Manuel Pinho
António Mexia com Manuel Pinho, em 2006
Um email enviado em agosto de 2008 por João Manso Neto, administrador da EDP, a António Mexia, presidente-executivo da EDP, envolve José Sócrates, então primeiro-ministro, num dossiê sobre a elétrica. Os procuradores do caso EDP mandaram juntar o email ao processo por considerarem que tem interesse para a investigação às rendas excessivas da EDP.

Manso Neto enviou a comunicação eletrónica a Mexia em 26 de agosto de 2008, com o assunto "Reunião Governo+ERSE [Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos]". O teor desse email, segundo os autos do caso EDP, era este: "É uma orientação inteligente que já terá o acordo do PM [primeiro-ministro]."

Sócrates era então primeiro-ministro e Manuel Pinho ministro da Economia. Os autos não detalham mais a conversa, mas o documento apreendido no conjunto de emails de Mexia e que, por ordem da juíza de instrução criminal, foram juntos ao inquérito, mostra a facilidade com que a EDP se movimentava junto do Governo e do regulador.

O Ministério Público suspeita que Manuel Pinho, enquanto ministro da Economia de Sócrates, terá tomado decisões que terão beneficiado a EDP em cerca de 1,2 mil milhões de euros em rendas excessivas relacionadas com os CMEC e na extensão da exploração de 27 barragens por 25 anos.

Os procuradores do processo mandaram juntar aos autos um outro email que Manso Neto enviou a Mexia, este em 30 de julho de 2008, e que demonstra a facilidade de comunicação da elétrica com o Executivo de Sócrates.

O assunto era a Fisipe, empresa de fibras acrílicas, e o teor era este: "A Fisipe vai fazer facto relevante, nós não, NA já sabe. Conviria que - para marcarmos pontos - desses uma palavra amanhã ao Sr. MEI [ministro da Economia e Inovação] - [secretário de Estado] ou mais alto."

Gestor é ouvido no inquérito parlamentar
É considerada uma das mais importantes audições da comissão parlamentar de inquérito às rendas energéticas. António Mexia vai ser hoje questionado pelos deputados sobre os dossiês mais polémicos que envolvem a elétrica e as relações com o Governo.

Além da própria elaboração da legislação que criou os CMEC – e que terá sido preparada, sobretudo, pela EDP –, Mexia deverá ser confrontado com o apoio à Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, para onde Manuel Pinho foi convidado a dar aulas.

SAIBA MAIS 
15 000 €
por mês era o valor próximo da avença que Manuel Pinho terá recebido do Grupo Espírito Santo (GES) no período em que foi ministro da Economia e da Inovação. Pinho exerceu o cargo de março de 2005 a 2 de julho de 2009. No total, nesse período, terá recebido do GES mais de um milhão de euros.

Agenda de Salgado
As agendas pessoais, que estão nos autos, de Ricardo Salgado, ex-líder do BES e do GES, revelam contactos do banqueiro com Pinho, Mexia e Rui Cartaxo, ex-assessor de Pinho.
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