Líder do Chega, que no passado defendeu a saída da ministra, considerou que o timing da demissão é sinal de "desorientação" do Governo.
O presidente do Chega defendeu esta quarta-feira que um ministro não deve sair "quando as pessoas mais precisam dele" e considerou que a demissão de Maria Lúcia Amaral "no meio de uma catástrofe é sinal de desorientação".
"Um governante não sai quando está pressionado, um governante não sai quando as pessoas mais precisam dele ou dela", afirmou André Ventura.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o líder do Chega considerou que a demissão da ministra da Administração Interna "já devia ter acontecido antes" e era "um pouco incontornável, sobretudo tendo em conta a gritante incapacidade que tínhamos tido nos últimos dias, mas nos últimos meses, em lidar com as várias situações que afligiram o território português".
"Acontecer no meio de uma catástrofe é um sinal de desorientação e é um sinal de descoordenação que o Governo não deveria ter", criticou.
Na terça-feira à noite foi comunicado que Maria Lúcia Amaral se demitiu das funções de ministra da Administração Interna, pasta que, transitoriamente, será assumida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O líder do Chega pediu ao primeiro-ministro que escolha para lhe suceder "alguém com conhecimento do terreno, com conhecimento das contingências e da operacionalidade, nos vários ramos e domínios que a Administração Interna comporta, desde as forças de segurança à Proteção Civil, bombeiros, as suas várias dimensões, facto que não era o de Maria Lúcia Amaral objetivamente", e que a decisão "não seja nem pelo cartão partidário, nem pela ligação partidária, mas que seja pela competência nesta área da Administração Interna".
Ventura indicou que "o Chega vai estar ao lado do país na gestão desta crise, mas não deixará de exigir responsabilidades" e defendeu uma "reformulação profunda nos serviços do Estado" e o afastamento de "outros erros de casting que verdadeiramente no terreno se têm visto serem um desastre do ponto de vista político para a gestão do dia-a-dia", sem especificar a quem se referia.
"Os bombeiros estão há anos a pedir um comando unificado que permita responder de forma articulada e proporcional a estas situações, a Proteção Civil continua a ser um viveiro de cartões partidários do PS e do PSD e não de indicações e nomeações por competência e por conhecimento do terreno. Que esta tragédia ao menos sirva para limparmos o Estado da inutilidade e para começarmos a focar-nos num Estado capaz e profissional de responder a situações como esta de acordo com aquilo que a população precisa", defendeu.
"Não pomos de lado um inquérito àquilo que aconteceu e à forma como a gestão desta crise foi levada a cabo, nós não pomos isso de parte, mas é preciso dizer que desta vez tem que haver consequências", indicou.
Nesta declaração, o líder do Chega defendeu o prolongamento da situação de calamidade "para que as populações possam receber o maior número de apoios possíveis da parte do Governo e também das entidades europeias" e que sejam acionados "todos os mecanismos de apoio europeu que façam chegar às pessoas, em todos os concelhos afetados, um conjunto de bens e de fornecimentos que neste momento estão em causa".
André Ventura pediu igualmente que os apoios prometidos cheguem às populações afetadas rapidamente.
Sobre o adiamento do debate quinzenal que estava previsto para esta tarde, Ventura indicou que o Chega concordou por entender que, face ao que está a acontecer em Coimbra, Luís Montenegro devia estar no terreno, junto de pessoas que "estão a passar um momento muito, muito difícil naquela zona devido ao iminente risco de cheias, de quebra dos diques e de destruição de algumas vias rodoviárias".
O dirigente do Chega disse concordar que o debate se realize na sexta-feira.
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