Líder do Chega acusa primeiro-ministro de "falta de empatia" devido às dificuldades que Almada enfrenta no abastecimento de água.
O líder do Chega criticou esta sexta-feira a ida do primeiro-ministro ao festival de música Alive, em Oeiras, quando o concelho de Almada enfrenta dificuldades no abastecimento de água, acusando Luís Montenegro de "falta de empatia".
"Se não lembra a ninguém ser o primeiro-ministro que mais viajou da Europa para o Mundial para ir ver jogos de futebol com o país a arder, também não lembra a ninguém que o primeiro-ministro esteja num festival à noite enquanto um concelho inteiro e um distrito afetado estejam sem água a lutar para ter o mínimo de abastecimento", afirmou.
Em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, André Ventura acusou Luís Montenegro de uma "falta de empatia brutal" para com a população.
"O primeiro-ministro devia estar a coordenar o combate aos incêndios em vez de estar no Mundial de Futebol e devia estar a ajudar a resolver o problema da falta de água em Almada em vez de estar no NOS Alive, em Oeiras. O Governo devia estar focado no aumento dos combustíveis que vai ocorrer na próxima semana, em vez de estar sem fazer nada e desaparecido em combate", criticou.
André Ventura criticou também "a ausência da ministra do Ambiente na situação de Almada, que foi gritante, a par da presidente da Câmara de Almada", a socialista Inês de Medeiros.
A uma semana do debate sobre o estado da nação, no Parlamento, o presidente do Chega considerou que "o estado da nação é mau, é péssimo" e "também é mau e péssimo o Governo".
"Porque não consegue ser pró-ativo nem nas coisas mais básicas que se exigem dos cidadãos, nem nas coisas mais básicas que se exige a um Governo perante os seus cidadãos. Sempre que veem um problema, seja de falta de água, de aumento dos combustíveis ou do custo de vida, o Governo inventa uma reforma qualquer que quer fazer para tentar desviar as atenções, mas nenhuma reforma que invente muda o que as pessoas sentem no bolso delas", afirmou.
Nesta conferência de imprensa, o líder do Chega anunciou também que o partido questionou por escrito o ministério da Justiça sobre notícias publicadas que referem que o atual ministro da Administração Interna recorreu ao mesmo empreiteiro que fez construções para a Polícia Judiciária (que liderou antes de entrar para o Governo), para realizar obras de remodelação numa das suas propriedades.
"Submetemos por isso hoje à ministra da Justiça, que é quem titula a área da Polícia Judiciária um conjunto de perguntas em relação à contratação e à adjudicação de obras nas diferentes sedes, as mesmas que estão relacionadas com as obras na casa do ministro da Administração Interna, e às respetivas adjudicações, esperando uma resposta célere", afirmou.
Ventura disse suspeitar de uma "eventual existência de conflitos de interesses".
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