Ministro da Administração Interna rejeita ter feito qualquer ameaça ao líder do Chega.
O presidente do Chega, André Ventura, disse esta segunda-feira que foram elementos do Governo e "deputados próximos" do ministro da Administração Interna que lhe contaram sobre as alegadas ameaças de Luís Neves, que o próprio já negou.
"Ontem [domingo] o partido decidiu tornar pública uma exposição, cuja denúncia tinha vindo da parte da bancada do próprio Governo e de deputados próximos do senhor ministro da Administração Interna, Luís Neves, em relação à presença no debate sobre a corrupção do SIRESP e o dinheiro gasto em torno do SIRESP", afirmou, sem esclarecer a quem se referia.
O líder do Chega falava aos jornalistas na sede do partido, Lisboa, um dia depois de Luís Neves ter rejeitado ter feito qualquer ameaça a André Ventura.
Depois de no domingo ter pedido uma reunião urgente ao Presidente da República, Ventura reiterou esta segunda-feira as acusações a Luís Neves, dizendo que por menos já houve demissões de ministros.
"São palavras absolutamente inaceitáveis, situações muito menores levaram à demissão de ministros noutras circunstâncias da República Portuguesa no período democrático. Isto acontece porque Luís Neves se sente impune, acha que pode fazer o que quer, dizer o que quer, ameaçar todos com investigações ou ameaçar todos com o poder que tem", acusou, dizendo não ter medo e que "é a democracia que está em causa".
O Chega alega que no debate quinzenal de 27 de maio, enquanto Ventura intervinha sobre o SIRESP, o ministro da Administração Interna dirigiu ameaças a André Ventura. Para sustentar essa acusação, o Chega divulgou nas redes sociais um excerto das imagens capturadas pela ARTV do momento em questão. Contudo, não são audíveis as palavras do ministro Luís Neves.
Segundo a leitura do Chega, que legendou o vídeo, Luís Neves teria afirmado que Ventura iria pagar pelo que estava a dizer no plenário sobre o SIRESP.
Entretanto, Luís Neves rejeitou publicamente estas acusações e acusou o Chega de ter divulgado nas redes sociais "imagens truncadas", estranhando o momento da divulgação.
Esta segunda-feira, o líder do Chega justificou que começou "por desvalorizar" o caso, por "entender que tinha sido o calor do momento", até ter recebido "denúncias mais sérias da ameaça e do abuso de poder que tinha sido determinado pelo ministro da Administração Interna", o que considerou "absolutamente inaceitável".
Recusando ter manipulado o vídeo divulgado nas redes sociais, que foi legendado pelo partido, Ventura defendeu que "não pode haver ministros com poderes absolutos, nem pode haver a ameaça de usar a PJ, a PSP ou a GNR contra partidos políticos ou contra opositores, calando jornalistas e partidos políticos sobre esta matéria".
O presidente do Chega referiu-se também às notícias sobre as obras numa casa do ministro feitas por uma empresa que trabalhou primeiro para a Polícia Judiciária -- entidade que Luís Neves liderou antes de ir para o Governo.
André Ventura considerou que pode haver um "eventual conflito de interesses" e referiu que o governante "diz que pagou cinco mil euros a um empreiteiro em dinheiro aos fins de semana, quando o próprio Governo tem na sua página a proibição de utilizar em numerário mais do que três mil euros", e que "só passará faturas quando tiver o valor final, contrário à lei e contrário àquilo que o próprio Governo definiu como legal".
"Há esta segunda-feira suspeitas severas sobre o ministro da Administração Interna e sobre a sua conduta, sobre a sua integridade", considerou, pedindo que sejam esclarecidas antes do debate sobre o Estado da Nação, quinta-feira, no Parlamento.
Ventura adiantou que, no debate, vai "dizer ao primeiro-ministro que este ministro da Administração Interna não deve continuar enquanto ameaçar jornalistas" ou "enquanto ameaçar líderes da oposição", adiantou.
Na conferência de imprensa, Ventura também criticou a comunicação social pela cobertura do caso, em particular a RTP.
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