Terceiro irmão exportado pela IURD morre de overdose

Fábio foi adotado, aos 2 anos, por bispo da IURD muito próximo de Edir Macedo.

13 de dezembro de 2017 às 01:30
Fábio, Iurd, menor, adotado, portugal, ilegal, adoções Foto: Direitos Reservados
Fundador da IURD, Edir Macedo Foto: Direitos Reservados
Jovem adotado Foto: Direitos Reservados
Jovem adotada Foto: Direitos Reservados
Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, iurd

1/5

Partilhar

Um dos jovens portugueses adotados por membros da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) morreu de overdose em julho de 2015, aos 19 anos. Fábio vivia com os pais adotivos em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Pub

Vera, de 3 anos, Luís, de 2, e Fábio, de 9 meses foram levados há cerca de 20 anos de um lar gerido pela IURD, em Camarate, Lisboa. Vera e Luís tornaram-se netos do líder da igreja, Edir Macedo, e Fábio foi adotado em 1998, quando tinha 2 anos, pelo bispo Romualdo Panceiro, braço direito do líder espiritual.

Apesar de terem sido separados em Portugal, os irmãos terão sido adotados pela mesma mulher, que terá servido de testa de ferro no alegado esquema de adoção ilegal pelos bispos da IURD. "Fábio estava dormindo e teve uma parada cardíaca. Como a pessoa morre não importa, [o que] importa é a salvação da alma. Eu tenho certeza que meu filho foi sal- vo", desabafou a mãe adotiva.

Pub

O problema com as drogas bateu ainda à porta de outro neto de Edir Macedo. Filipe Cardoso, filho adotivo de Cristiane (filha do líder da IURS) e Renato Cardoso, de 23 anos, que já assumiu publicamente a dependência. "Depois da maconha eu fui para a cocaína. Um levou pró outro, a gente sempre quer uma nova experiência, uma coisa que faça o efeito mais forte", revelou. Filipe, que mora nos Estado Unidos, voltou entretanto para a igreja.

A mãe biológica das três crianças (duas delas já adultas), à data moradora na Amadora, falou à TVI sob a condição de anonimato e garante só ter pedido ajuda ao referido lar quando os seus filhos foram institucionalizados: "A assistente disse-me que a situação ia ser reavaliada e que depois vinham para junto de mim".

As crianças tinham sido sinalizadas e entregues ao lar pela Segurança Social em 1995. Acabaram por viajar para fora de Portugal, com destino à América, com autorização de um tribunal português, mas tais decisões judiciais podem ter sido formuladas com base em informação errada. 

Pub

Ordem de silêncio após celebração  

Após as celebrações religiosas, durante o dia de ontem, a ordem era de silêncio. O CM tentou falar com crentes da Igreja Universal do Reino de Deus que se recusaram a dar qualquer esclarecimento. Um segurança à porta também impedia a entrada. 

PORMENORES 

9 milhões de fiéis

Pub

A Igreja Universal do Reino de Deus tem mais de 9 milhões de fiéis em todo o Mundo. São 320 bispos e 14 mil pastores. Em Portugal, a IURD declara mais de 30 milhões de euros/ano.

"Lavagem cerebral"

A Universal não foge, no entanto, às críticas e a muitos processos judiciais. A instituição é acusada por alguns de "lavagem cerebral e possessões demoníacas falsas".

Pub

Em Portugal em 1989

A IURD foi fundada no final da década de 1970 no Brasil. Chegou a Portugal em 1989, compra o cinema Império em Lisboa e em 1995 tenta comprar o Coliseu do Porto.

Ministério de Ferro ignora denúncias de corrupção   

Pub

A denúncia do Instituto de Apoio à Criança já dava conta de que havia suspeitas de corrupção nas adoções. Apontava ainda para irmãos que eram separados e abria o véu para o escândalo que hoje abala o País.

Em 2001, o Ministério da Segurança Social, tutelado então por Ferro Rodrigues, foi pronto a responder. Arquivou liminarmente as denúncias, dizendo que não havia factos concretos na acusação. Esclareceu depois que, não podendo a IURD proceder a adoções, não poderia estar envolvida em qualquer esquema de corrupção.

Nessa altura, o lar que foi investigado situava-se na avenida Gago Coutinho. Tinha 17 crianças, mas os técnicos centraram-se em pormenores como a limpeza e a qualidade das ementas para considerarem que a instituição só deveria ser punida com uma admoestação. E isto apenas porque não estava legal, embora como realça o relatório, o lar tudo tivesse feito para conseguir a licença.

Pub

A pena aplicada foi, dois anos depois, uma coima de 50 euros e o processo foi posteriormente arquivado. Nada mais foi investigado, pelo menos nos dez anos seguintes - já que o lar só terá fechado definitivamente no ano de 2011.

Ainda segundo o documento que o CM consultou, algumas das denúncias terão sido apresentadas pelas próprias crianças, que no entanto revelavam ter medo em falar. Os técnicos disseram mais tarde que os menores não relataram qualquer anomalia.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar