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Correio da Manhã

Portugal
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IURD exporta crianças com aval do Estado

Netos de Edir Macedo adotados à revelia da mãe biológica.
Tânia Laranjo, Débora Carvalho e Duarte Faria 12 de Dezembro de 2017 às 01:30
Fundador da IURD, Edir Macedo
Jovem adotada
Jovem adotado
Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, iurd
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD
Fundador da IURD, Edir Macedo
Jovem adotada
Jovem adotado
Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, iurd
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD
Fundador da IURD, Edir Macedo
Jovem adotada
Jovem adotado
Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, iurd
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD acusada de gerir rede internacional de tráfico de crianças
IURD
Uma rede ilegal de tráfico de menores que teve a conivência do Estado - pelo menos a Segurança Social e o Tribunal de Menores. As crianças eram encaminhadas para um lar ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e depois entravam no sistema das adoções internacionais. Tudo à revelia das famílias que vinte anos depois denunciam o caso.

A Segurança Social mantém-se para já em silêncio sobre as graves acusações, garantindo apenas que participaram ao Ministério Público as suspeitas tornadas ontem públicas pela TVI. Não esclarecem se apuraram qualquer ilegalidade nestes processos. Dizem apenas que o lar em causa - Casa de Acolhimento Mão Amiga - se encontrava ilegal.

A denúncia foi feita pelo bispo Alfredo Paulo - dissidente da IURD - que confirmou à TVI as suspeitas de adoções com uso a ‘testas de ferro’. Ao CM, o bispo recusou prestar esclarecimentos.

Uma das adoções que está em causa é precisamente a dos netos de Edir Macedo, líder da seita religiosa. Os dois filhos adotivos da filha de Edir, Viviane, terão sido ‘roubados’ a uma mãe portuguesa, que residia na Amadora, e que garantiu que nunca pretendeu abandonar os filhos.

Encaminhou as crianças para o lar apenas por não ter onde as manter durante o dia - enquanto trabalhava - tendo depois sido confrontada com a adoção. Sem meios legais para lutar pelos filhos, a mulher conta ainda que nunca teve qualquer ajuda. Até a polícia teria recusado receber a queixa.

Entretanto, antes da reportagem ter sido emitida, os netos de Edir Macedo, Vera e Luís, gravaram um depoimento no YouTube a garantir que a adoção foi legal. 

Bispos obrigados a fazer vasectomias adotavam crianças em vários países 
Ainda nos anos 80, Edir Macedo começou a incentivar os bispos da IURD a não terem filhos. Nas suas pregações, dizia que "nascem como ratos" e que as pessoas que pertencem à estrutura do culto não deviam contribuir para "trazer pessoas ao mundo".

Nesse sentido, obrigou centenas de colaboradores a fazerem vasectomias (cirurgia que impossibilita os homens de terem filhos), muitas delas clandestinas. Alfredo Paulo, que já pertenceu à IURD e hoje é um dos seus maiores opositores, foi um dos bispos pressionados. Mas estes mesmos bispos eram depois incentivados a adotar crianças em vários países.

Igreja declara 30 milhões por ano
A IURD declara em Portugal 30 milhões por ano. As receitas da organização são provenientes, sobretudo, de contribuições dos fiéis e estão livres de impostos. A sede é no antigo Cinema Império, Lisboa, mas a IURD está presente em mais de 50 cidades do nosso país.

Lar acolhia menores em Camarate  
Fiéis, pastores e bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) adotaram crianças de um lar ilegal criado e financiado pela própria igreja. O lar, criado em 23 de maio de 1994 na zona de Camarate, em Lisboa, só foi licenciado em 2001.

Segundo a TVI, durante estes sete anos a instituição de acolhimento de menores funcionou à margem da lei, sem qualquer fiscalização da Segurança Social. Mais tarde, viria a mudar de localização, tendo funcionado num edifício na avenida Gago Coutinho, perto do aeroporto.

As adoções eram feitas sem nenhum controlo. As mães, sem condições financeiras para criarem os seus filhos, assinavam documentos manuscritos em que davam luz verde à adoção. A partir desse momento deixavam de ter informação sobre o paradeiro das crianças.

A IURD nega as acusações. Diz que o lar não era ilegal, estava sim em fase de legalização - "aguardava a conversão do registo provisório para definitivo", asseguram.




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