Músicos do centro comercial Stop queixam-se de falta de diálogo com a Câmara e autarquia apresenta solução para os realojar

Escola Pires de Lima estaria pronta para receber os artistas no final do ano, diz Rui Moreira.

19 de julho de 2023 às 16:45
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Os artistas cujos espaços foram encerrados no centro comercial Stop no Porto, representados pela Associação Alma Stop, garantem em entrevista à RTP3 que não vão desistir de preservar o local de trabalho.

"Não damos a batalha por terminada", disse Mariana Costa, avisando que "se o problema é a inexistência de licenças, é preciso haver diálogo com a Câmara". A esse propósito, refere que "a última reunião com a Câmara foi no ano passado". "Ultimamente não temos tido qualquer tipo de contacto e não é por falta de tentativa da nossa parte", assegura.

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De acordo com a versão da artista, foi-lhes sempre dito que "não havia dinheiro para fazer obras".

Posteriormente, esta quarta-feira, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, indicou como solução para os músicos desalojados do centro comercial Stop a escola Pires de Lima, garantindo que as instalações estariam prontas a receber os artistas no final do ano.

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Em conferência de imprensa, depois de estar esta manhã reunido com a associação que representa os artistas, Rui Moreira salientou que a vantagem daquela escola, que será desativada no início do próximo ano letivo, é que é da autarquia, pelo que seria o município a suportar as despesas de adaptação do espaço. Os alunos serão transferidos para a escola Alexandre Herculano.

Segundo o autarca, a solução apresentada aos músicos terá sido do agrado destes, "até pela proximidade" entre o Stop e a referida escola, sendo que a ocupação de dois pisos no Silo Alto "é outra solução" apontada pela autarquia.

A EB 2,3 Doutor Augusto César Pires Lima passou para a alçada da autarquia com a descentralização de competências e vai ficar desocupada, em setembro, com a passagem dos alunos para a escola Alexandre Herculano.

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"Transformar antigas salas de aulas em salas para músicos é uma coisa relativamente fácil. [Os músicos] podem conviver com o Norte Vida, temos salas disponíveis, é um espaço enorme que tem seis unidades completamente autónomas. Parece-nos uma ideia ótima para a cidade", considerou o autarca.

Rui Moreira garantiu ainda que os custos de adaptação do espaço vão ser por conta da autarquia, obra essa que a câmara não podia fazer no Stop por este espaço não ser propriedade do município.

O autarca explicou que seria ilegal a câmara fazer as obras necessárias no espaço, porque o edifício não lhe pertence e que a compra ou arrendamento do espaço é inviável.

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"Eu não sei de nenhum interesse imobiliário e posso-lhe dizer uma coisa, a Câmara Municipal do Porto não autoriza ali a construção de nenhum hotel, se for caso disso. (...) A história de que o que nós queremos é gentrificar aquilo parece-nos uma história absurda", respondeu Rui Moreira quando confrontado com acusações de alegados interesses imobiliários estarem na origem da selagem das lojas.

Para que a câmara pudesse intervir no Stop, umas das possibilidades "era comprar o edifício".

"Nós, para comprarmos o edifício precisávamos que o senhor que se apresenta como representante do condomínio pudesse reunir todos os proprietários, porque nós não podemos comprar umas frações e não comprar as outras, sob pena de ficarmos numa situação de copropriedade impossível", disse.

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A segunda solução seria "ser-nos alugado a nós [o prédio] e poderíamos fazer obras, mas também ai precisávamos da totalidade do edifício", disse, considerando, contudo, que esta solução, a par com a primeira, é inviável, porque há mais de 170 proprietários e alguns "são mais ou menos impossíveis de contactar".

A terceira solução seria avançar com a expropriação do edifício". Mas "a expropriação é um caminho das pedras, precisaremos para isso de uma declaração de utilidade pública cultural que só pode ser emitida pelo senhor ministro da Cultura, com que falei hoje de manhã e não se colocou de fora dessa posição", começou por dizer.

Contudo, salientou, "as expropriações em Portugal demoram muito tempo", a que se soma o tempo de fazer as obras necessárias para transformar o espaço.

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"Um processo de expropriação mais obra não demora menos de três anos e o problema dos músicos não é daqui a três anos, não é amanhã, é hoje", concluiu.

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