Advogada condenada a prisão por burla
Alexandra Malpique leva seis anos e meio de prisão.
Alexandra Malpique, uma advogada com escritório na Marinha Grande, de 47 anos, foi esta terça-feira condenada a seis anos e meio de prisão pelo Tribunal de Leiria, que deu como provados três crimes de burla qualificada, um de falsificação de documento e outro de atividade ilícita de receção de depósitos e outros fundos reembolsáveis. Foram ainda declarados perdidos a favor do Estado os 480 mil euros que a arguida recebeu dos clientes que foram burlados.
O Tribunal de Leiria deu como provado que Alexandra Malpique, através do seu escritório, angariou clientes para a sociedade ‘Wave Fund Management Inc.’ - uma offshore com sede no Panamá e sem licença para exercer em Portugal - a quem prometeu juros com taxas acima do que era praticado no mercado, entre dois e sete por cento ao mês e com pagamento mensal, além da possibilidade de "resgate imediato" do valor que viesse a ser investido. Entre 2007 e 2010, foram movimentados 5,5 milhões de euros, através desta sociedade.
A advogada recebia o dinheiro dos clientes e depois entregava- -o ao representante da sociedade, Fernando Pereira, que também foi constituído arguido, mas vai ser julgado em processo separado, por não ter sido notificado. Quando a burla foi descoberta, no âmbito de uma investigação da Polícia Judiciária, terá viajado para fora do País.
Entre as vítimas estão um administrador de insolvência de duas empresas da região e os beneficiários de uma herança.
A arguida, que vai continuar em liberdade até a decisão ser definitiva, não esperava uma condenação a prisão efetiva e a sua defesa, pondera recorrer da decisão agora proferida pelo Tribunal de Leiria.
OUTROS CASOS
Vale e Azevedo
Após deixar a presidência do Benfica, foi alvo de vários processos e condenações, relativos ao desvio de dinheiro na transferência de futebolistas e que viriam a ditar o cumprimento de penas e a expulsão, em 2013, da Ordem dos Advogados.
Carmelinda Pinto
Já depois de ser expulsa da Ordem dos Advogados, continuou a burlar clientes. Foi condenada em novembro de 2017, em Leiria, a quatro anos de prisão, por burla qualificada e procuradoria ilícita e obrigada a devolver 33 mil euros à vítima.
Carla Vieira
O Tribunal de S. João Novo, no Porto, condenou a advogada a dois anos de prisão, com pena suspensa, pelo crime de falsificação de documentos, em outubro do ano passado. Tem de pagar 1500 euros de indemnização à ofendida. Em causa esteve um documento falso que utilizou numa execução.
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