Procurador Orlando Figueira em liberdade

Juízes ficam com passaporte.

20 de março de 2018 às 13:33
Orlando Figueira, ex-procurador do DCIAP, está acusado dos crimes Foto: Pedro Catarino
Procurador Orlando Figueira está a ser julgado no Campus de Justiça no âmbito do processo Fizz Foto: Pedro Catarino
O ex-procurador Orlando Figueira, julgado na Operação Fizz Foto: Pedro Catarino

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A medida de coação de prisão domiciliária ao ex-procurador Orlando Figueira foi hoje revogada, passando o arguido no processo Operação Fizz a estar em liberdade, segundo a sua advogada.

Orlando Figueira, acusado de ter sido corrompido pelo ex-vice-presidente de Angola, deixou de estar com pulseira eletrónica, depois de um ano e meio em prisão domiciliária.

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Os juízes determinaram, contudo, que o arguido entregasse o passaporte, pelo que não pode ausentar-se para o estrangeiro.

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Sobre a proibição de contactos, segundo a advogada Carla Marinho, os juízes ainda não tomaram qualquer decisão.

Depois de ter sido ouvido à porta fechada hoje à tarde e de conhecer a decisão, Orlando Figueira disse aos jornalistas que ia para casa e esperar pelos técnicos da equipa de reinserção social para remoção do dispositivo.

Advogado angolano recusa a esclarecer relações de empresa que contratou Orlando Figueira

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Noronha Tiny, advogado angolano que esta terça-feira foi ouvido como testemunha no julgamento do processo Fizz, recusou esclarecer  as ligações da Primagest quer ao Banco Privado Atlântico quer à Sonangol, alegando que esses temas estão sob sigilo profissional.

A acusação do Ministério Público diz que o procurador Orlando Figueira foi contratado pela Primagest, empresa alegadamente ligada à Sonangol e a Manuel Vicente. O ex-vice-presidente angolano é acusado de ter corrompido Orlando Figueira em troca do arquivamento de processos que o visavam no DCIAP. 

Noronha Tiny referiu várias vezes que não podia responder às questões, salientando que nunca recebeu nenhuma notificação do tribunal para o fazer. O advogado de Angola representou o BPA na negociação de compra de ações da COBA.

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"Fui consultor jurídico da Sonangol entre 2005 e 2015, fazia trabalhos pontuais, nunca tive contrato e não representei a Sonangol nas negociações com a Coba, Primagest ou Berkeley", disse.

Questionado se a Primagest - empresa com a qual o ex-procurador e arguido Orlando Figueira assinou um contrato para ir trabalhar para Angola - era do universo da Sonangol, a testemunha disse que não sabia.

"O meu cliente era o BPA, nunca fui consultor jurídico da Coba nem da Primagest. A minha missão no negócio da venda de ações da Coba era zelar pelo meu cliente", declarou.

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Porém, confrontado com um mail onde se referia que assinou um contrato em nome da Primagest, a testemunha explicou que foi a pedido do banco, garantindo que não sabia quem eram os representantes legais da empresa.

Questionado porque é que o BPA interveio no contrato promessa compra e venda de ações da Coba o advogado disse não saber.

"A Coba é que estava a vender ações ao BPA, não andei a averiguar quem estava a comprar", acrescentou Tiny, insistindo várias vezes que estava a cumprir orientações do banco.

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Perante a recusa em responder a questões concretas a procuradora do MP teve o desabafo: "Já se percebeu que o doutor não pode dizer quem estava do outro lado".

Tiny disse ainda não conhecer os arguidos Armindo Mendes nem Paulo Blanco.

Noronha é tido como sendo muito próximo da família de José Edurado dos Santos, o ex presidente de Angola.

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Na parte da tarde será ouvido o arguido Orlando Figueira, à porta fechada, acusado de ser corrompido pelo ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente, no âmbito do pedido de alteração das medidas de coação, nomeadamente a medida privativa da liberdade.

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