Alegado espião da Rússia dizia ser filho de ex-ministro do PS
Suspeito apresentava-se como filho de Tiago Brandão Rodrigues, antigo ministro da Educação. Namorada contou ter visto Miguel Rodrigues a contar mil euros em notas e que ele relatou viver da venda de informações militares.
Não foi só a Polícia Judiciária que Miguel Rodrigues - o jovem acusado pelo Ministério Público, entre outros, pelos crimes de violação do segredo de Estado e espionagem, ambos na forma tentada - enganou com histórias fantasiosas. Também duas jovens, com quem manteve uma relação próxima, foram iludidas com o nome do seu suposto pai: Tiago Brandão Rodrigues, antigo ministro da Educação socialista.
O despacho de acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) conta que ambas as jovens, ouvidas como testemunhas na investigação, relataram que, além do grau de parentesco com o antigo ministro, Miguel Rodrigues dizia ainda morar na exclusiva Quinta do Peru, Golf Country Club, na Amora, Margem Sul do Tejo.
Uma das jovens chegou, involuntariamente, em fevereiro de 2025, a participar no furto de computadores a um militar da NATO, hospedado num hotel, na Costa da Caparica. Depois de recolher os aparelhos informáticos, Miguel Rodrigues, segundo o testemunho da rapariga, pediu para os guardar. Nas mesmas declarações ao Ministério Público, a jovem contou que o namorado lhe dizia fazer do furto de informações militares um modo de vida, já que era “assim que ganha dinheiro”.
Miguel Rodrigues, de acordo com o testemunho da namorada, disse ainda julgar que os computadores do militar da NATO continham “informações relacionadas com umas armas novas, informações militares classificadas”. A jovem acrescentou ter visto o namorado a contar mil euros em notas à sua frente e que o mesmo “ganhava 10 mil euros a cada duas semanas”.
Para o julgamento, o Ministério Público pediu que as duas jovens prestassem depoimento na ausência do arguido, algo que foi solicitado pelas próprias “face à sua vulnerabilidade” em relação ao suspeito e à respetiva idade.
E também
Ministério Público DCIAP
Por se tratar de eventuais crimes de espionagem e violação do segredo de Estado, a investigação a este caso foi assumida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), dirigido pelo procurador Rui Cardoso. Cláudia Oliveira Porto foi a magistrada responsável pela investigação e acusação.
Acusação
Além dos crimes de violação do segredo de Estado e espionagem (na forma tentada) e de denúncia caluniosa, Miguel Rodrigues vai responder ainda por furto qualificado, falsas declarações e condução sem habilitação legal.
Declarações falsas
Principal suspeito imputou crimes e suspeitas a outras pessoas, como um inspetor da PJ. Isso ‘rende-lhe’ uma acusação por 11 crimes de denúncia caluniosa.
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