Alegado espião da Rússia dizia ser filho de ex-ministro do PS

Suspeito apresentava-se como filho de Tiago Brandão Rodrigues, antigo ministro da Educação. Namorada contou ter visto Miguel Rodrigues a contar mil euros em notas e que ele relatou viver da venda de informações militares.

20 de fevereiro de 2026 às 01:30
Miguel Rodrigues é suspeito de utilizar várias identidades falsas em hotéis Foto: Getty Images/iStockphoto
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Não foi só a Polícia Judiciária que Miguel Rodrigues - o jovem acusado pelo Ministério Público, entre outros, pelos crimes de violação do segredo de Estado e espionagem, ambos na forma tentada - enganou com histórias fantasiosas. Também duas jovens, com quem manteve uma relação próxima, foram iludidas com o nome do seu suposto pai: Tiago Brandão Rodrigues, antigo ministro da Educação socialista.

O despacho de acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) conta que ambas as jovens, ouvidas como testemunhas na investigação, relataram que, além do grau de parentesco com o antigo ministro, Miguel Rodrigues dizia ainda morar na exclusiva Quinta do Peru, Golf Country Club, na Amora, Margem Sul do Tejo.

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Uma das jovens chegou, involuntariamente, em fevereiro de 2025, a participar no furto de computadores a um militar da NATO, hospedado num hotel, na Costa da Caparica. Depois de recolher os aparelhos informáticos, Miguel Rodrigues, segundo o testemunho da rapariga, pediu para os guardar. Nas mesmas declarações ao Ministério Público, a jovem contou que o namorado lhe dizia fazer do furto de informações militares um modo de vida, já que era “assim que ganha dinheiro”.

Miguel Rodrigues, de acordo com o testemunho da namorada, disse ainda julgar que os computadores do militar da NATO continham “informações relacionadas com umas armas novas, informações militares classificadas”. A jovem acrescentou ter visto o namorado a contar mil euros em notas à sua frente e que o mesmo “ganhava 10 mil euros a cada duas semanas”.

Para o julgamento, o Ministério Público pediu que as duas jovens prestassem depoimento na ausência do arguido, algo que foi solicitado pelas próprias “face à sua vulnerabilidade” em relação ao suspeito e à respetiva idade.

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FOTO: António Pedro Santos/Lusa
Rui Cardoso

E também

Ministério Público DCIAP

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Por se tratar de eventuais crimes de espionagem e violação do segredo de Estado, a investigação a este caso foi assumida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), dirigido pelo procurador Rui Cardoso. Cláudia Oliveira Porto foi a magistrada responsável pela investigação e acusação.

Acusação 

Além dos crimes de violação do segredo de Estado e espionagem (na forma tentada) e de denúncia caluniosa, Miguel Rodrigues vai responder ainda por furto qualificado, falsas declarações e condução sem habilitação legal.

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Declarações falsas

Principal suspeito imputou crimes e suspeitas a outras pessoas, como um inspetor da PJ. Isso ‘rende-lhe’ uma acusação por 11 crimes de denúncia caluniosa.

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