Antigo tesoureiro da Junta de Tadim em Braga confessa desvio de 23.660 euros

Arguido, Bruno Ferreira, programador informático de 47 anos, disse que "via aquilo como um empréstimo".

05 de março de 2026 às 11:49
Dinheiro Foto: Getty Images
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Um antigo tesoureiro da Junta de Freguesia de Tadim, em Braga, confessou esta quinta-feira que desviou 23.660 euros da autarquia, um comportamento que justificou com as dificuldades financeiras por que passaria a sua empresa.

No início do julgamento, no Tribunal de Braga, o arguido, Bruno Ferreira, programador informático de 47 anos, disse que "via aquilo como um empréstimo" e garantiu que nunca pensou em ficar com o dinheiro.

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Acrescentou que a sua intenção era devolver o dinheiro rapidamente à Junta, mas entretanto "meteu-se a pandemia [de covid-19]", a situação da empresa piorou e havia dívidas para pagar, nomeadamente ao fisco.

"A cabeça já não estava bem, [o dinheiro da Junta] era a coisa mais fácil para resolver a situação de imediato, era o dinheiro mais fácil", referiu.

Entretanto, o arguido já devolveu integralmente o dinheiro que desviou da autarquia, uma transação esta quinta-feira homologada pelo tribunal.

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"Gostava de ter devolvido mais cedo, mas não consegui", disse ainda, confessando arrependimento e adiantando que já tem vindo a cumprir uma espécie de "pena pessoal social", traduzida no fim do casamento, na perda da casa e na forma como passou a ser olhado na freguesia.

Sublinhou que não tirou "nenhuma vantagem económica" da sua atuação.

"Não comprei nada para mim", apontou

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A acusação refere que Bruno Ferreira, que foi tesoureiro da Junta de Tadim entre 24 de outubro de 2017 e abril de 2021, se apoderou de 23.100 euros, usando os meios de pagamento da autarquia.

Para o efeito, passou dois cheques da Junta de Freguesia, no valor total de 15 mil euros, um para uma conta pessoal e outro para a de uma empresa que geria.

Fez também uma transferência de 8.010 para outra conta de que era titular.

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Os cheques exigiam duas assinaturas de membros da Junta, mas o então presidente tinha-lhe deixado cheques em branco já assinados.

Bruno Ferreira ter-se-á ainda apoderado de três tablets que se destinavam aos restantes elementos do executivo e que tinham o valor total de 650.52 euros.

O arguido confessou integralmente os factos constantes da acusação.

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O Ministério Público quer que o arguido seja condenado por dois crimes de peculato e que seja obrigado a entregar ao Estado a quantia de que se apoderou, a título de devolução indevida de vantagens.

A leitura do acórdão ficou marcada para 19 de março.

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