ASSASSINADO NA RUA COM TRÊS TIROS

José Ramos foi ontem surpreendido pelo som de quatro disparos quando assistia a um jogo do Europeu num café da Rua Possidónio Silva, em Lisboa. Quando saíu à rua para ver o que se passava, encontrou o seu amigo de infância, já no chão, a esvair-se em sangue. António Brochado tinha sido baleado e acabou por morrer no hospital.

19 de junho de 2004 às 00:00
ASSASSINADO NA RUA COM TRÊS TIROS Foto: Natália Ferraz
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Os atritos começaram no passado sábado. A vítima, 36 anos, tinha tido uma discussão no ginásio onde treinava. Na ocasião, um indivíduo, alegado praticante de kickboxing, terá discordado de António Brochado a propósito de um acidente em Santa Apolónia, que nada tinha a ver com eles. Nesse dia a briga foi resolvida ali, na rua, “à porrada”, segundo contou ao Correio da Manhã José Ramos, amigo da vítima.

“Ele era boa pessoa, mas se lhe tocassem ele respondia logo”, acrescentou o montador de móveis de cozinha, de 39 anos.

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Mas ontem, pelas 17 horas, António nem teve tempo de responder. Sentado num banco de jardim, foi atingido por três balas.

Deolinda Fernandes, a sua mãe, acredita que tudo foi planeado.

O autor dos disparos terá vindo numa carrinha conduzida “por um cúmplice”, concretizou a vingança e fugiu.

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Estas informações, assim como o nome dos suspeitos, foram transmitidas à Polícia Judiciária, que está a investigar o caso.

BALEADO EM NOVEMBRO

António Brochado era distribuidor de mercadorias. Com 36 anos tentava agora reconciliar-se com a sua mulher, com quem tinha duas meninas (uma de sete e outra de 10 anos). O filho, de 4 anos, era fruto de uma outra relação. A sua vida era aparentemente normal. Mas as horas vagas serviam para se dedicar ao ginásio, onde fazia ‘pesos’. No pátio da sua casa tinha também uma máquina para manter a forma. A vítima deixou também um valente rotweiller, de nome ‘Bill’. Agora, só a sua irmã consegue chegar-lhe.

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Em Novembro do ano passado, António enfrentou uma situação idêntica à de ontem. Foi baleado depois de se ter envolvido numa briga com um outro homem. Desta vez, o agressor foi buscar uma arma e quando voltou disparou e atingiu António numa perna. Mas desta vez não resistiu às balas que o atingiram no pescoço, braço e abdómen. E já nos Cuidados Intensivos, às 03h30 da manhã o filho de Deolinda Fernandes não resistiu e morreu. A família de António está em estado de choque

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