Burlão ainda dá aulas
José Poças Rascão e o filho foram detidos por burla de sete milhões.
José Poças Rascão – o professor universitário que, juntamente com o filho, burlou dois bancos em sete milhões de euros – continua a dar aulas no Instituto Politécnico de Setúbal. O docente, de 68 anos, que foi detido no início deste mês, é bastante conceituado no meio académico, tendo inclusive já publicado vários livros. Leciona na Escola Superior de Ciências Empresariais.
Foi, aliás, esse conhecimento privilegiado do mundo dos negócios, que levou a que José Rascão e o filho, de 45, conseguissem montar um esquema criminoso. O professor sabia como forjar documentação, dando a ideia de possuir uma atividade empresarial que em nada correspondia à verdade. Já o filho foi bancário durante muitos anos, tendo trabalhado exclusivamente na área da concessão de créditos. Sabia, por isso, quais as exigências dos bancos e que garantias falsas deviam apresentar.
Pai e filho – que estão em liberdade – entregavam aos bancos ações de empresas inexistentes, contas e relatórios forjados. Foi durante outra investigação iniciada a duas farmácias que José Rascão possuía que a PJ descobriu que os dois andavam a burlar os bancos. Os dois estabelecimentos – um no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e o outro em Paredes – terão sido usados para a concessão de créditos milionários.
As farmácias entretanto faliram e foi aí que pai e filho começaram a recorrer a empresas-fachada, que utilizavam testas de ferro, a quem entregavam pequenas contrapartidas financeiras.
A investigação da Polícia Judiciária de Setúbal permitiu para já concluir que para lá dos sete milhões que conseguiram desviar, José Rascão e o filho tentaram ainda burlar mais três bancos e uma financeira em 60 milhões de euros.
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