“Cada dia é uma luta terrível”: mãe de jovem que morreu há 13 anos durante assalto publica mensagem emotiva nas redes sociais

Marlon Correia morreu há 13 anos durante um assalto falhado no Queimódromo do Porto.

04 de maio de 2026 às 08:39
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Marlon Correia morreu há 13 anos durante um assalto falhado no Queimódromo do Porto e a mãe publicou uma mensagem emotiva nas redes sociais. “Continua a guiar-me, a dar-me força, porque cada dia é uma luta terrível para me levantar e seguir sem ti”, escreveu Lídia Barbosa.

O processo-crime foi arquivado em 2021. No ano seguinte, a Federação Académica do Porto foi absolvida de pagar uma indemnização de 150 mil euros aos pais do estudante de 24 anos morto a tiro.

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Leia a mensagem na íntegra

“Partiste há 13 anos. Embora o tempo passe, a dor não desaparece, apenas se transforma.

A ausência de justiça pesa muito, tornando o luto incompleto, mas o amor que sinto por ti é maior, tão grande que me vai dar força para continuar o meu caminho, encontrar forças mesmo quando não as tenho e aprender a conviver com esse vazio.

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A tua partida tirou tanto de mim, mas não conseguiu tirar o orgulho que sinto por ser tua mãe e por tudo aquilo que vivemos, 24 anos, ao teu lado.

A dor, o tempo não apaga, especialmente quando acompanhada pelo sentimento de injustiça.

A única "justiça" que conseguimos encontrar é manter viva a memória, a verdade e o amor que existiu, não permitindo que o tempo ou a negligência apaguem quem foste.

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Hoje voltei a olhar para o teu retrato, aquele em que sorris com a luz que sempre tiveste. Decorreram 13 anos desde que me foste tirado, desde que o barulho da violência silenciou a tua voz, mas aqui, no meu coração, o tempo parou naquele dia terrível.

Sinto a tua falta com uma intensidade que, por vezes, deixa-me sem fôlego, a sensação da falta do teu riso, das tuas brincadeiras, das nossas conversas, do cheiro da tua roupa, do simples facto de saber que estavas neste mundo. Noto como se uma parte da minha alma tivesse desaparecido, metade da minha vida foi-se contigo.

Perdoa-me, filho, porque, apesar dos meus gritos silenciosos, dos nossos apelos em busca de respostas, não há justiça. Parte-me o coração ter de dizer-te isto, mas os culpados continuam impunes, como se a tua vida não significasse nada. A impunidade é uma ferida que não me deixa curar, um tormento diário que me queima por dentro. Tu sabes que nunca mais consegui ser a pessoa que era...

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Por vezes, a raiva domina-me, e outras vezes sinto apenas uma tristeza tão profunda que me paralisa. Custa-me profundamente saber que alguém decidiu cortar-te as asas, que não me deixaram proteger-te até ao fim.

Mas quero prometer-te algo: mesmo que a justiça humana falhe, o meu amor por ti nunca falhará. Jamais deixarei de pronunciar o teu nome. Nunca deixarei de lutar para que todos saibam quem foste e para que a tua memória nunca seja apagada, ainda que muitos digam para eu virar a página, porque não sabem o que significa perder um filho...

Sei que estás num lugar de paz, onde não há violência nem maldade. Guarda um lugar para mim ao teu lado para quando nos voltarmos a encontrar. Enquanto isso, continua a guiar-me, a dar-me força, porque cada dia é uma luta terrível para me levantar e seguir sem ti.

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Amo-te hoje, amanhã e sempre. A tua luz continua a brilhar aqui, dentro de mim, Marlon.

Com amor eterno,

A tua mãe,

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Lídia.”

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