Confessa morte de amigo em Salvaterra de Magos
Jovem diz que não tinha intenção de matar amigo de 14 anos.
O jovem de 18 anos acusado de matar um adolescente de 14, em maio de 2015, em Salvaterra de Magos, confessou esta segunda-feira no Tribunal de Santarém ter desferido os golpes fatais, afirmando não ter tido intenção de matar e mostrando arrependimento.
Na primeira sessão do julgamento, em que o jovem atualmente com 18 anos é acusado pelo Ministério Público dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver, o arguido afirmou que, na altura dos factos, não estava a tomar a medicação para a doença bipolar que lhe havia sido diagnosticada.
Segundo o relato que fez ao tribunal, o jovem disse ter-se encontrado com o adolescente na noite de 11 de maio de 2015 a pedido deste, num apartamento que usavam, entre outras coisas, para consumir drogas, para o ajudar a resolver uns "stresses".
O jovem afirmou que era a segunda vez que o adolescente lhe pedia ajuda, sendo que da primeira vez foi ele que ficou com a responsabilidade sobre uma dívida que aquele tinha para com uns indivíduos de Vila Franca de Xira relacionada com estupefacientes, sublinhando que a briga não teve nada a ver com posse de bens, como roupa e ténis, como afirma a acusação.
O encontro degenerou em confronto físico, tendo o jovem ido buscar um tubo de metal à varanda, com o qual desferiu os golpes no corpo e na cabeça do adolescente, afirmando que o fez inicialmente apenas com intenção de o ameaçar.
O jovem disse ter abandonado o local com a noção de que o outro não estava bem, mas não pediu ajuda porque, se o fizesse, "alguma coisa podia correr mal" para si.
Instado pelo seu advogado, o jovem afirmou que se soubesse nunca teria agredido o adolescente da forma como o fez e que saiu convencido de que ele estava vivo.
Quando regressou ao apartamento, no dia 13 de manhã, foi o "pânico" que o levou a arrastar o corpo até ao sótão (onde levou depois a Polícia Judiciária), afirmando que "ainda hoje não é fácil" recordar o que se passou, porque "está muito à flor da pele".
O advogado de defesa, Santos de Oliveira, disse aos jornalistas que aceitou defender o jovem (tem o processo desde há 20 dias, sendo o terceiro advogado a agarrar no caso) por ser "um rapaz com problemas psicológicos que precisa de ser ajudado".
Para o advogado, o crime que o jovem confessou, que "não foi premeditado e resultou de uma circunstância casuística", resultando de "uma briga que não correu bem", não deve ser punido só com prisão mas com um tratamento psicológico "intenso".
Referindo que o jovem tem uma doença psicológica grave diagnosticada (bipolaridade), da qual não estava a ser medicado há nove meses (desde que saiu do centro educativo até à data dos factos), o advogado lamentou que a "sociedade não se tenha preocupado".
"Aceitei o processo porque em causa está a defesa, não de um criminoso que planeou um crime, mas [de] um rapaz de 17 anos que precisa de ajuda", afirmou.
O advogado pediu esta segunda-feira para que o psicólogo que atualmente acompanha o jovem seja ouvido pelo tribunal para desfazer a ideia constante no processo de que se trata de "um psicopata que agiu com frieza".
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