Criticada falta de bombeiros no Andanças
Erva alta propagou as chamas que calcinaram 422 carros.
Quando o fogo deflagrou no estacionamento do festival Andanças, em Castelo de Vide, quarta-feira às 14h50, destruindo por completo 422 carros e uma moto e danificando outras nove viaturas, apenas estava no recinto – com 28 hectares e perto de 5 mil pessoas – uma viatura com 4 elementos dos sapadores florestais da autarquia, lamentaram ao CM vários dos lesados e confirmou o presidente da câmara, António Pita, e a organização.
Segundo explicou ao CM Tiago Mendes, que viu o seu carro engolido pelo fogo, mesmo esses sapadores tiveram dificuldade em aceder às chamas. "Depararam-se com um portão fechado e teve de se encontrar um corta arame", disse. Denunciou a falta de uma viatura de combate a fogos dos bombeiros, que existia em outros anos e passou a estar presente desde ontem. Outros festivaleiros acusam a organização de ter descurado a segurança. "O estacionamento não era mais que um palheiro. Aqui batem temperaturas elevadas e basta uma palha entrar no escape para começar o fogo e arde tudo", afirmou Joel Valente, de Almada, que salvou o carro "à última" e ontem ia para casa. "Não estou seguro. A minha filha aleijou-se a fugir para dentro da barragem. Gerou-se um pandemónio – com crianças perdidas e famílias separadas – e não foi tragédia por causa do vento, que estava em sentido contrário do campismo. Era tudo previsível. O pasto onde nos mandaram estacionar tinha meio metro", lamentou. Terá sido essa palha a propagar as chamas por baixo dos carros, pegando fogo às zonas menos protegidas das viaturas.
É ainda criticada a falta de extintores visíveis no interior do recinto, bem como a alegada inexistência de um sistema sonoro de aviso para todo o recinto e o desrespeito das placas de proibição de fumar e fazer fogo.
A Proteção Civil confirmou que o único meio de combate a incêndios no local era a equipa de sapadores florestais. A organização refere que eram os meios previstos no plano de segurança aprovado pela autarquia. E garante a existência de extintores "em todos os pontos importantes" e que estavam ontem a ser recarregados após terem sido usados no fogo.
Nada ainda decidido quanto aos seguros
A Caixa Agrícola Seguros, que assinou a apólice de responsabilidade civil com a organização do Andanças – a associação Pé de Xumbo –, assegurou ontem que vai cumprir com as suas responsabilidades na sequência do incêndio que danificou quatro centenas de viaturas. Mas alertou que o seguro "pode ou não ser suficiente para cobrir os danos", recusando-se a divulgar o valor contratado – recorde-se que, numa estimativa por baixo, e se cada carro atingido for avaliado em 5 mil euros, estão em causa prejuízos superiores a dois milhões de euros.
A Associação Portuguesa de Seguradores aconselhou os proprietários dos carros danificados a acionarem os respetivos seguros individuais. Já a Deco alertou que "quem tem cobertura de incêndio no seguro automóvel deve ativá-la de imediato". "Se a apólice não a inclui, o consumidor terá de aguardar até as responsabilidades estarem apuradas", sendo cenários possíveis "o acordo entre seguradoras ou pagamento pela organização".
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