Diretora da Casa dos Rapazes acusada de maus tratos: "Às vezes é necessário repreendê-los"
Responsável nega intenção de magoar jovens da instituição. de Viana do Castelo.
A diretora técnica da Casa dos Rapazes, em Viana do Castelo, arguida num processo de maus tratos explicou esta quarta-feira, em tribunal, as ações que tomou para disciplinar os jovens da instituição, "nunca com a intenção de os magoar".
"Às vezes é necessário repreendê-los, segurá-los, exercer alguma retenção, mas nunca com a intenção de os magoar (...). São jovens agressivos, desafiantes, questionam e opõem-se às regras todas", afirmou, esta quarta-feira à tarde a diretora de 43 anos ao coletivo de juízes que começou a julgar o caso.
Durante a manhã foram ouvidos outros quatro funcionários, com idades entre os 30 e os 36 anos, também arguidos no processo e que negaram a prática dos crimes de que estão acusados pelo Ministério Público (MP).
Os cinco arguidos, quatro funcionários e a diretora técnica daquela instituição, estão acusados de 35 crimes de maus tratos, ocorridos entre 2015 e 2017, e denunciados por duas educadoras da instituição acolhe 46 crianças e jovens em situação de risco.
A ex-diretora da instituição disse que "num primeiro momento é preciso mostrar" que aquela instituição "é uma casa com regras, limites e rotinas que tem de ser cumpridas", admitindo ser "muito exigente com os miúdos, não ser muito meiga a falar".
Defendeu que "há limites" e negou ter dirigido palavrões de insultos aos menores.
"Não me identifico muito com essa linguagem", sustentou a arguida que desempenhou o cargo de diretora durante uma década.
A arguida, que deixou a instituição em abril de 2017, na sequência deste caso, referiu que este processo "é penoso e injusto" e acusou "as pessoas que fizeram as denúncias de serem meras espectadoras das situações".
"Não serviam os miúdos, serviram-se da instituição. Não posso ser mera espectadora de faltas de educação", destacou.
Questionada pelo juiz sobre se os menores que denunciaram os alegados maus tratos terão sido instrumentalizados, respondeu: "Não. Alguns tiraram partido desta situação".
Afirmou que desde a sua saída da instituição "os casos de desobediência e as idas da PSP à casa aumentaram".
"As pessoas que lá estão são mais permissivas e outras são obrigadas a ser mais permissivas, com medo de serem acusadas".
Realçou que "a instituição tem sido muito penalizada por parte da Segurança Social" e que a direção "foi obrigada a rescindir contratos de trabalho com pessoas que têm valor".
A próxima sessão está marcada para dia 15 de outubro às 09h30. Serão ouvidas as cinco primeiras testemunhas do processo.
A investigação do MP envolvia seis arguidos, sendo que as acusações que pendiam sobre um dos funcionários daquela instituição foram arquivadas.
Em novembro de 2017, a direção da Casa dos Rapazes aceitou o pedido de afastamento de cinco dos seis funcionários arguidos naquele processo.
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