"Ele tentava respirar e não ouvi nem um gemido": Comando garante que colega se matou
Luís Teles morreu com tiro no peito junto ao paiol do quartel da Carregueira.
"Estava a trocar mensagens com a minha namorada quando ele [Luís Teles] entrou a lamentar-se. Agarrou a minha arma [G3 distribuída ao sentinela do paiol] e tirou o carregador. Deixou de ser ameaça para mim, porque nem tinha bala na câmara, e não me importei que fosse para a rua. Ouvi manobras de segurança, seria ele a colocar na câmara uma munição que terá trazido com ele, e o tiro. Já o encontrei no chão. Ele tentava respirar e não ouvi nem um gemido", contou Deisom Camará, o comando acusado de assassinar a tiro um colega, em setembro de 2018, no quartel da Carregueira. Perante o relato, o juiz presidente questionou Camará: "Na sua lógica foi suicídio?", ao que o militar respondeu: "Certo".
O soldado de 22 anos começou a ser julgado na presença de colegas dos Comandos e família. Relatou que nada tinha "contra" Luís Teles e que a relação era "apenas profissional", "uma amizade de armas" por terem pertencido seis meses ao mesmo grupo de combate na República Centro-Africana. O próprio Ministério Público não aponta razão para o crime.
Deisom Camará respondeu durante três horas a todas as perguntas sobre a sua relação com Luís Teles, que tinha 23 anos e vivia no quartel por ser originário da Madeira. Diz ter ficado surpreendido por Teles aparecer na casa da guarda ao paiol a desabafar que estava "desanimado" por ter sido retirado da futura missão na RCA e colocado na formação. "Fiquei em choque ao vê-lo caído no chão e liguei ao oficial de dia a pedir ajuda". Depois, falou com o 112 e tentou "socorrer".
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