Ex-presidente da Câmara de Gaia diz que sempre que foi ver o FC Porto foi a convite
"Não fiz nada de errado que lesasse o erário público", frisou perante o coletivo de juízes do Tribunal de Vila Nova de Gaia.
O ex-presidente da Câmara de Gaia Eduardo Vítor Rodrigues garantiu, esta segunda-feira, que sempre que foi ver jogos de futebol do FC Porto fora do país foi a convite do clube, que custeou todas as despesas.
O ex-autarca, que liderou a autarquia pelo PS de 2013 a 2025 e que começou a ser julgado por, alegadamente, ter usado dinheiro do município para comprar bilhetes para assistir a jogos de futebol do FC Porto na Liga dos Campeões, afirmou que "nunca beneficiou de um cêntimo da câmara".
"Não fiz nada de errado que lesasse o erário público", frisou perante o coletivo de juízes do Tribunal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.
Eduardo Vítor Rodrigues explicou que, para assistir a esses jogos, o FC Porto dava sempre dois convites duplos ao presidente e vice-presidente sendo, por isso, as despesas de deslocação, alojamento e refeições asseguradas pelo clube.
A acompanhá-los costumava ir uma comitiva de quatro a cinco pessoas com uma relação institucional com o município ou com a fundação PortoGaia, cujas despesas dessas eram asseguradas pela autarquia.
"A prática de ter uma delegação a acompanhar o FC Porto já vinha de trás", assinalou.
Eduardo Vítor Rodrigues vincou que nunca levou a filha, primos ou amigos.
"Não fiz nenhuma comitiva de amigos ou familiares. As pessoas que a integravam tinham uma ligação institucional", insistiu.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o ex-presidente da câmara autorizou, em duas ocasiões, uma em 2015 e outra em 2016, despesas do município para viagens de terceiros a jogos da Liga dos Campeões, consideradas de caráter lúdico e não institucional.
Como consequência desta atuação, o erário público foi lesado num valor superior a 15.800 euros, considerou.
Além disso, Eduardo Vítor Rodrigues apontou que foi tudo publicado no BASE, portal que centraliza informação sobre contratos públicos celebrados em Portugal continental e regiões autónomas.
"Foi tudo escrutinado, não ocultei nada, respeitei todos os trâmites legais", reforçou.
Estas viagens não tinham uma "lógica de amiguismo", mas sim de construir redes e relações para a cidade, referiu o antigo presidente de câmara.
Além de Eduardo Vítor Rodrigues, o processo tem ainda como arguidos o ex-vice-presidente da autarquia Patrocínio Azevedo, igualmente arguido na Operação Babel relacionada com a alegada viciação e violação de normas e instrução de processos de licenciamentos urbanísticos em Gaia, e, à data, a secretária da presidência.
Estes dois arguidos recusaram prestar declarações nesta audiência de julgamento.
Por mais do que uma vez, Eduardo Vítor Rodrigues destacou que estes "nada têm a ver com o assunto" em causa.
À saída do tribunal, e em declarações aos jornalistas, o ex-autarca reafirmou que "ficou evidente" que não houve crime nenhum, que não houve um ato de gestão que possa ser criticável.
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