Gata bebé queimada em forno e presa uma semana em garagem de Barcelos
Ariel foi fechada no forno pela filha da arguida de 3 anos. Sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus.
A gata Ariel tinha apenas 4 meses quando foi adotada por uma família, a 15 de setembro de 2022. Cerca de dois meses depois, o animal foi colocado dentro do forno ligado por uma menina de apenas três anos. Sofreu queimaduras em cerca de 50 % do corpo. A mãe da menor, que adotou o animal, teve conhecimento imediato do que aconteceu mas não acionou serviços veterinários. Colocou Ariel fechada na garagem da habitação, durante uma semana "privando-a dos cuidados necessários e devidos". A mulher, de 51 anos, está acusada pelo Ministério Público (MP) de Barcelos de maus tratos a animais de companhia. Começa a ser julgada ainda este mês no tribunal de Barcelos.
O MP diz na acusação que as circunstâncias em que o animal foi colocado no forno não foram "concretamente apuradas". No entanto, a mãe da menor "apreendeu que o animal ficou gravemente ferido e em sofrimento, a necessitar de cuidados veterinários". A procuradora indica que a gata foi queimada na semana anterior ao dia 17 de novembro de 2022. O caso só foi descoberto quando a instituição na qual Ariel foi adotada, a SOS Bigodes - Grupo de Resgate Animal Associação, teve conhecimento do ocorrido e interpelou a arguida para levar o animal ao veterinário, o que veio a acontecer. No Centro Veterinário Vetcelos, em Manhente, Barcelos, percebeu-se que Ariel apresentava queimaduras de segundo e terceiro graus - na cara, orelhas, dorso, patas e na cauda.
Atendendo ao tempo decorrido entre o dia das queimaduras e a assistência médica - a 17 de novembro de 2022 -, o felino já apresentava uma infeção grave na pele. Ariel teve de ser sedada para ser intervencionada, devido à gravidade da situação. Sobreviveu mas tem sequelas irreversíveis. Esteve internada no centro veterinário durante dois meses - até 17 de janeiro de 2023, sempre com mudanças de penso e do tecido morto.
"A arguida agiu com a intenção injustificada e injustificável de privar o seu animal de cuidados médicos que bem sabia serem necessários e urgentes, causando-lhe ainda mais dor e sofrimento do que aquele que já normalmente decorreria das queimaduras, do que teve noção", lê-se na acusação.
Na altura, Ariel foi adotada com microchip. A associação SOS Bigodes é assistente no processo. A gata chegou a ser tratada com o recurso um método natural cada vez mais usado no tratamento destes ferimentos, a pele do peixe de tilápia. Está atualmente entregue a uma família de acolhimento desde que teve alta da clínica.
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