Judiciária libertou mulher trancada
PJ descobriu ainda um utente que tinha gangrena numa perna.
A Polícia Judiciária (PJ) do Porto descobriu situações de verdadeiro terror, em abril do ano passado, quando realizou buscas domiciliárias na Obra do Calvário, que pertence à Casa do Gaiato de Beire, em Paredes. Nessa altura, os inspetores encontraram, por exemplo, uma mulher, de 50 anos, trancada sozinha num quarto.O padre António Baptista, que dirigia a instituição e é agora acusado de maus-tratos, tinha por hábito isolar as vítimas em quartos para castigá-las.
Esta utente foi, segundo a acusação do Ministério Público de Penafiel, agredida de forma violenta durante dez anos. Era esbofeteada pelo padre e empurrada. Nunca recebia tratamento médico, apesar de ser vista com muita frequência ferida e a sangrar.
A PJ encontrou ainda um outro utente num estado verdadeiramente chocante. O homem, que tinha um atraso cognitivo, apresentava gangrena na perna esquerda, numa fase já avançada, mas não tinha ainda recebido qualquer tipo de tratamento. Um outro utente do lar, que é testemunha no processo, garantiu que o padre demonstrou total despreocupação face à hipótese de o homem morrer.
Foram ainda apreendidos nas buscas instrumentos rudimentares que o padre, de 85 anos, usava para suturar as vítimas, apesar de não ter formação para o fazer. A PJ apreendeu ainda medicamentos fora do prazo, que o sacerdote dava aos utentes sem qualquer tipo de controlo. O padre está acusado de 13 crimes de maus-tratos e um de ofensas corporais.
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