Mãe e padrasto fingem ser "doidinhos" e gritam à porta do tribunal

Casal que abandonou menores em Alcácer do Sal no dia 19 terá combinado fingir loucura. Começaram esta sexta-feira a ser ouvidos em tribunal.

23 de maio de 2026 às 01:30
Tribunal ouve casal suspeito de abandonar menores em Alcácer do Sal Foto: Pedro Castanheira e Cunha / LUSA
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Quando chegaram ao Tribunal de Setúbal, Marine e Marc já teriam um plano delineado. Durante os cerca de 160 quilómetros que fizeram na carrinha da GNR entre Fátima e Palmela, onde pararam antes de seguir para tribunal, o casal terá conversado entre si e assumido que deviam fazer passar-se “por doidinhos”. A conversa foi ouvida pelos militares da Guarda, que os deixaram falar abertamente, fazendo os suspeitos acreditar que não eram entendidos. Mas um militar percebeu tudo e acabou por depor à chegada a Palmela. O testemunho já terá sido utilizado nos interrogatórios.

Por abandonarem Zacharie e Barthelemy (três e cinco anos), no dia 19, em Alcácer do Sal, o casal responde perante a juíza pelos crime de exposição ou abandono e violência doméstica contra os menores.

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Este dado pode assim explicar, em parte, o motivo pelo qual Marc, padrasto dos menores abandonados em Alcácer do Sal, foi tido como “descompensado”. Nas instalações da GNR de Palmela esmurrou vários equipamentos e gritou com Marine. Também à chegada ao tribunal os suspeitos acabaram por ter uma conduta errante: Marc gritava "Je vous amais" ("Amo-vos") e Marine entrou a cantar.

Até fecho desta edição, ainda não havia novidades quanto às medidas de coação aplicadas ao casal. No entanto, como França emitiu um mandado de detenção internacional, se fossem libertados acabariam por ser imediatamente detidos, para serem levados ao Tribunal da Relação. Pelos crimes de que estão acusados, podem ser condenados entre dois a cinco anos de cadeia, por cada um.

Quanto às crianças, o destino é para já incerto. Após serem recolhidos por Alexandre Quintas e estarem internados no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, os dois irmãos foram entregues a uma família de acolhimento. Mas, como o pai (que estará em Portugal) tem visitas limitadas e supervisionadas, não é certo que possam regressar a França. Segundo uma nota emitida pelo Tribunal de Setúbal ao início da manhã de ontem, cabe às autoridades francesas iniciar o processo de regresso das crianças. Só haverá uma decisão após avaliação desse requerimento e o “cumprir de regressas processuais”, como “o princípio do contraditório e a obtenção de elementos probatórios” para uma decisão das autoridades portuguesas.

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160

quilómetros foram percorridos por Marine e Marc numa carrinha da GNR, entre Fátima e Palmela.

Forte aparato

A PSP e a GNR realizaram, em conjunto, a aparatosa operação de segurança que rodeou o Tribunal de Setúbal, antes, durante e após os interrogatórios de Marc Ballabriga e Marine Rousseau. As entradas dos detidos, suspeitos de violência doméstica e de exposição ou abandono, foram controladas ao milímetro.

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Justiça única juíza

Marine Rousseau e Marc Ballabriga foram ouvidos no âmbito do processo de abandono dos filhos da mulher de cinco e três anos em Alcácer do Sal pela única juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Setúbal.

“Eles nada fizeram”

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Segundo testemunhas do almoço da família, em Alcácer do Sal, “os meninos chutaram a bola para a estrada, e eles [mãe e companheiro] nada fizeram”. A ausência de reação acabou por surpreender os presentes.

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