Não duvida que pai queria matá-la
As duas sobreviventes temem que ‘Palito’ volte.
"Foi uma tentativa falhada, mas ele [Manuel Baltazar] vai arranjar maneira de terminar o que começou. Não tenho dúvidas de que me queria matar", disse Sónia ontem, filha de Manuel ‘Palito’, no Tribunal de Viseu, num discurso muitas vezes marcado pelas lágrimas.
A sobrevivente do crime de Valongo dos Azeites disse ainda que desde esse dia nada voltou a ser como antes na sua vida. "Tenho muito medo, em particular de pessoas atrás de mim. Sinto raiva e revolta e fico perturbada quando oiço foguetes. Lembra-me o som do disparo", disse.
Também Maria Angelina, ex-mulher de Manuel ‘Palito’, voltou a ser ouvida na segunda sessão do julgamento. "Ouvi quatro disparos. Não me importava de ter morrido naquela altura, o maior medo era a morte dos que me rodeavam", referiu. Nessa tarde, em 2014, a tia, Elisa Barros, e a mãe, Maria Lina, foram mortas por ‘Palito’, que carregou uma caçadeira com cinco cartuchos. Também Maria Angelina vive com medo. "Isto [a prisão] só está a fazer com que a revolta dele aumente. Não é pessoa para aprender com a vida e não está arrependido", assegurou.
Mãe e filha têm marcas gravadas na mente e no corpo que o tempo dificilmente apagará. Sónia voltou a trabalhar na restauração, mas as mazelas na mão e nas costas não lhe permitem laborar com antes. Maria Angelina garantiu aos juízes estar "incapacitada para trabalhar". Ontem lembraram vários episódios de violência física e psicológica que sofreram ao longo dos anos.
Daquele dia de abril dizem que ninguém se apercebeu da chegada de ‘Palito’. Que estiveram as quatro sempre juntas naquele anexo e que tudo aconteceu em segundos. Garantem que ‘Palito’ não disse uma palavra. O julgamento prossegue no dia 23.
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