“Paz não é uma certeza”, diz comandante dos 180 militares portugueses na República Centro-Africana
Combatentes lutam para proteger civis perseguidos por 14 grupos armados.
"A paz não é uma certeza, nem uma constante”. É assim que o tenente-coronel Capinha Henriques, comandante dos 180 militares portugueses na República Centro-Africana, em missão das Nações Unidas, descreve a atual situação de segurança naquele país, onde 14 grupos armados lutam contra o Estado pelo controlo das minas de diamantes, ouro e urânio e rotas de transumância, provocando desde 2013 milhares de mortos e centenas de milhar de deslocados.
A curta distância de uma perigosa campanha eleitoral (Presidenciais em dezembro), o cuidado é redobrado. “Vai ser um período que pode significar uma imprevisibilidade mais acentuada, tendo a Força Portuguesa que estar sempre pronta a intervir para proteger a população civil e trabalhar para a manutenção da Paz”, afirma Capinha Henriques.
A atual força portuguesa na RCA, a 7ª desde 2017, está no terreno desde março. Já foi empenhada em Ndélé (norte da RCA), onde ficaram um mês a defender civis. “Estivemos em confronto com um grupo armado, no qual tivemos de recorrer ao uso da força. Capturámos um conjunto de elementos de um grupo armado, entre os quais, o líder, suspeito de ser responsável pelo massacre em Ndélé, que resultou na morte de 30 pessoas, 50 feridos e mais de 8 mil deslocados. Neste momento, cerca de 60% dos 8 mil deslocados já regressaram e o governo local está a conduzir negociações para a resolução do conflito”, explica Capinha Henriques.
Treino faz a diferença
“A Força reagiu de acordo com o que foi treinado. O aprontamento faz sempre a diferença, pois treinamos como se de uma situação real de combate se tratasse”, diz o tenente-coronel.
Foi o batismo de combate do novo armamento. “Possuímos duas das melhores armas do mundo (pistola Glock 9 mm e FN SCAR 5.56mm). Em breve vamos receber as novas viaturas VAMTAC, que vêm substituir as atuais viaturas HMMWV, utilizadas há mais de 20 anos”.
A RCA é um desafio: “como militares e como portugueses, somos ensinados e treinados a enfrentá-las e a superar as dificuldades, com espírito de sacrifício, resiliência, coragem e camaradagem, trabalhando como uma equipa forte e coesa.
Elogiados pelo principal chefe militar
A forma como a missão está a ser cumprida é elogiada pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro. “A 7ª FND está a dar continuidade à exigente missão de proteção da população, contribuindo, de forma corajosa e abnegada, para a estabilização da RCA. O principal desafio persiste na permanente ameaça que os grupos armados constituem para a segurança da população, bem patente na complexa operação que a força portuguesa levou, recentemente, a cabo na região de Ndélé, onde confrontou um destes grupos e capturou vários elementos procurados”, diz ao CM
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