Polis vai tomar posse de 19 casas para demolir na Culatra
Expropriações marcadas para terça-feira nos núcleos habitacionais do Farol e Hangares.
Pouco menos de um ano depois das demolições das 23 habitações consideradas ilegais nos núcleos do Farol e dos Hangares, na ilha da Culatra, em Faro, a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa volta à carga esta terça-feira, dia 27.
Para já, vão ser feitos apenas os atos de tomada de posse administrativa de mais 19 habitações destes dois núcleos, já que o Governo deu a oportunidade a três proprietários de provarem que são casas de primeira habitação.
"Não estamos de acordo com estas demolições. Há um ano foi-nos dito que iria haver mais diálogo com o Governo neste processo, o que não aconteceu, e depois tivemos a má notícia de que haveriam mais demolições", lamenta ao CM Feliciano Júlio, da Associação de Moradores do Núcleo do Farol. Ainda assim, numa última tentativa de travar o avanço do processo de demolição, deram entrada no Tribunal Administrativo de Loulé, no final da passada semana, um total de 12 providências cautelares relativas a habitações dos dois núcleos.
"As providências cautelares têm efeitos suspensivos, e esperamos que sejam respeitados", lembra José Lezinho, da Associação de Moradores dos Hangares, que também lamenta as "demolições injustas" que a Sociedade Polis Ria Formosa quer fazer.
Assembleia chumba suspensão do processo
Na passada quinta-feira foi feita uma votação, na Assembleia da República, em Lisboa, dos projetos de resolução do PCP e BE, que pediam a suspensão imediata das demolições. Os votos contra do PS e a abstenção do PSD ditaram novamente o chumbo dos projetos no Parlamento.
Governo alega falta de segurança das casas
A justificação que o Governo dá para avançar com as demolições é a falta de segurança, por as casas estarem a menos de 40 metros da linha de costa. "O que não falta em Portugal são empreendimentos turísticos quase à beira de água e aí já é seguro...", lamenta Feliciano Júlio.
PORMENORES
Demolições antes do verão
Os atos de tomada de posse administrativa arrancam esta terça-feira, mas as demolições não serão imediatas. Certo é que deverão começar - e terminar - antes do início do verão.
Manifestações solidárias
É esperado que os ilhéus se juntem amanhã nos núcleos habitacionais para se manifestarem contra todo o processo.
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