Provedora pede a famílias de vítimas de fogos que peçam indemnizações
Associação de Vítimas de Pedrógão explica que famílias ainda estão a reunir informação
A Provedora da Justiça, Maria Lúcia Amaral, apelou esta quarta-feira aos familiares das vítimas dos incêndios para que apresentem os seus requerimentos de forma a que as indemnizações sejam atribuídas rapidamente.
Maria Lúcia Amaral realizou esta quarta-feira uma conferência de imprensa por considerar que este "é o momento para dar a informação necessária aos destinatários sobre o procedimento" para a atribuição das indemnizações às vítimas dos incêndios de 17 de junho e de 15 de outubro.
"Como estamos perante um mecanismo extrajudicial, que se caracteriza pela adesão voluntária", as indemnizações só serão atribuídas a quem as solicitar, adiantou a Provedora da Justiça.
Segundo Maria Lúcia Amaral, até ao momento ainda não chegou à Provedoria da Justiça nenhum requerimento. É preciso que os familiares entreguem os requerimentos "para que esta fase se inicie e seja levada a bom porto, de uma forma célere e justa", disse. "A grande preocupação é que ninguém fique de fora deste processo por falta de esclarecimento, de informação ou por falta de ajuda para preencher o requerimento", sublinhou.
"Estamos cientes de que, num curto espaço de tempo, e em contacto direto com as vítimas", os processos possam estar concluídos em semanas.
Maria Lúcia Amaral anunciou que, esta quarta-feira à tarde, se vai realizar, em Coimbra, uma reunião entre técnicos das autarquias afetadas pelos incêndios e a Ordem dos Advogados do Centro para que sejam prestadas todas as informações para os técnicos difundirem junta das populações atingidas.
Presidente da Associação das Vítimas explica que famílias estão a reunir informação
Nádia Piazza, presidente da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande explica ao Expresso o motivo por que ainda não foram submetidos pedidos de indemnização. A questão é que muitos dos familiares das vítimas ainda não tiveram acesso ao capítulo sexto do relatório coordenado por Xavier Viegas, onde são relatadas as circunstâncias e os detalhes das mortes de 65 pessoas.
"A provedora ficou surpreendida e não tinha conhecimento desta situação. Tivemos de explicar que na última semana entregamos 37 excertos aos familiares e esta semana mais 20. Os relatórios das autópsias são muito secos, não explicam as circunstâncias das mortes", explica ao jornal Nádia Piazza.
"As pessoas querem saber a verdade e os requerimentos vão surgir à medida que isso acontecer", garante Nádia Piazza, que explica que haverá no próximo sábado uma assembleia geral onde um dos pontos será o esclarecimento sobre o processo de pedido de indemnizações
Em relação às 45 vítimas dos fogos de outubro, Nádia Piazza revela que os familiares das vítimas ainda não dispões de qualquer documento ou relatório que lhes permita avançar com pedidos de compensação
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