Reclusos declamam poesia no espetáculo "Livres na Prisão" no Teatro da Guarda

Oficina de declamação realizada no Estabelecimento Prisional da Guarda teve como objetivo contribuir para "a reinserção social dos reclusos e a inclusão através de práticas artísticas".

21 de janeiro de 2026 às 18:44
Reclusos declamam poesia no espetáculo "Livres na Prisão" no Teatro da Guarda Foto: Getty Images
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Onze reclusos e duas técnicas do Estabelecimento Prisional da cidade vão protagonizar, na noite de quinta-feira, o espetáculo de poesia "Livres na Prisão" no Teatro Municipal da Guarda (TMG), que resultou de uma oficina de declamação organizada na prisão.

"Todas as pessoas têm talento e capacidade para criar, todos devem ter mais do que uma oportunidade e o hiato que existe entre estar deste lado ou do lado de lá é muito ténue", disse à agência Lusa Alexandre Gonçalves, um dos coordenadores do projeto.

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A oficina de declamação foi orientada pelo poeta e técnico superior da Câmara da Guarda e por Luísa Fernandes, professora da Escola Secundária Afonso de Albuquerque, na cidade, no âmbito de uma parceria entre o município, o Estabelecimento Prisional e o Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque.

"Teremos poesia, música e vozes, num total de 90 minutos. Os autores e os poemas foram escolhidos por mim. Tenho a certeza de que os participantes transmitirão a mensagem e provocarão sentimentos na plateia, pois estão ligados, emocionalmente, aos poemas. Sentem os poemas e esse é o critério principal", acrescentou Alexandre Gonçalves.

Do programa vão constar poemas e textos de Almeida Garrett, Álvaro de Campos, Ana Luísa Amaral, Antero de Quental, António Lobo Antunes, Ary dos Santos, Augusto Gil, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Jorge de Sena, Jorge Palma, José Gomes Ferreira, José Monteiro, Mário de Sá Carneiro, Miguel Torga, Nuno Júdice, Sebastião da Gama, Sophia de Mello Breyner Andresen e Vinícius de Moraes.

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Alexandre Gonçalves realçou que a oficina de declamação foi "um autêntico espaço de revelação, de libertação, de superação e promoveu a literacia e o pensamento crítico".

"A arte e a cultura, em ambientes difíceis e de antagonismo, diminuem os riscos psicossociais, a vulnerabilidade e a reincidência. A poesia e a declamação constituem uma espécie de abrigo, na qual os participantes se sentem felizes e intocáveis".

Para o coordenador do projeto "Livres na Prisão", "pensar na poesia é pensar em liberdade. Declamar é uma forma de se libertarem. Além disso, os participantes acreditam que a sua participação na oficina seja um motivo de orgulho para a família".

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Segundo a autarquia, a oficina de declamação realizada no Estabelecimento Prisional da Guarda teve como objetivo contribuir para "a reinserção social dos reclusos e a inclusão através de práticas artísticas".

"A apresentação pública do trabalho proporciona um contacto direto e essencial dos participantes com a comunidade", sublinha.

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