"Se conseguisse acender o fósforo, a gente ardia": testemunha relata violência doméstica em Felgueiras

Homem regou a mulher com gasolina e tentou atear fogo.

28 de fevereiro de 2026 às 14:03
PJ deteve o agressor Foto: Helder Santos/Aspress
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A manhã de quinta-feira começou com bastante tensão e alvoroço para os trabalhadores e moradores da Rua do Casalinho, em Regilde, Felgueiras.  

Um homem, de 59 anos, esperou pela companheira junto ao seu local de trabalho para a tentar matar. Tal como noutras manhãs, a mulher deslocava-se até à fábrica de calçado no carro da patroa e acompanhada de mais quatro colegas. O agressor conseguiu imobilizar o veículo e, proferindo diversas ameaças de morte, atirou gasolina para o interior do carro, deixando a companheira totalmente encharcada. Tentou, depois, atear fogo com fósforos, mas não conseguiu.

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Apesar de não ter presenciado o momento em que as vítimas foram regadas com gasolina, uma testemunha, que preferiu não ser identificada, contou ao CM o momento em que as mulheres chegaram à fábrica de calçado. “Elas estavam completamente assustadas, tremiam por todo o lado. Estavam em pânico e temeram pela vida. Disseram-me: 'Se ele conseguisse acender o fósforo e [se o fogo] chegasse às roupas, a gente ardia'", relata. "O botão de pânico começou a apitar muito. Nós nem sabíamos que ela tinha um botão de pânico", acrescenta.  

A relação entre a vítima e o agressor ficou marcada por vários anos de violência doméstica. "Já veio para a empresa perguntar por ela, persegui-la. Chegou a enviar cartas para o trabalho a pedir para ela o perdoar, a dizer que a amava muito. Se ela não tem relação com ele, ele não tem que vir atrás dela", opina.  

Perante toda a situação, a testemunha temeu "pela vida". "Estava tão assustada com tão semelhante situação… Uma pessoa a tentar incendiar outra, a atirar fósforos, a regar com gasolina... Uma pessoa completamente desvairada, fora de si", descreve. "Sinto-me mais segura por ele estar detido", confessa.

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O agressor foi detido pela Polícia Judiciária do Porto e presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação mais gravosa: prisão preventiva. O homem estava a ser vigiado através de pulseira eletrónica desde 13 de janeiro e estava proibido de se aproximar da mãe dos dois filhos. 

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