“Sou inocente, não tive nada a ver com as burlas”: Arguido acusado de esquema ‘Olá pai, Olá mãe’ nega crimes

Casal é suspeito de arrecadar 218 mil euros com o esquema. Cúmplice também está a ser julgado.

15 de abril de 2026 às 12:34
Henry Jefferson Foto: Inês Trovisco
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Acusado de ter angariado 218 mil euros à custa do esquema ‘Olá pai, Olá mãe’, Henry Jefferson negou esta quarta-feira no Tribunal de Matosinhos ter cometido qualquer crime. O homem, de 41 anos, começou a ser julgado com a mulher Eliane, de 47, e ainda um outro arguido, Vinicius, de 32. "Sou inocente, não tive nada a ver com estas burlas (...) Eu até ser detido pela Polícia Judiciária não sabia nada desta burla”, alegou Henry, que está em prisão preventiva. 

O arguido – que terá cometido os crimes entre 2023 e 2024 – afirmou no tribunal que apenas trabalhava como parceiro de uma empresa. Explicou que vendia cartões de telemóveis, que eram para isso colocados em mais de 20 modems e depois convertidos em formato digital. Os cartões seriam depois usados para descarregarem aplicações como o 'WhatsApp', mas Henry diz que não sabe qual era o objetivo final. “Vivemos num mundo em que ninguém é perfeito, eu não posso responder pelas ações de outros. Eu só estava nos grupos, vendia cartões, não sabia que era nada ilícito”, afirmou, dando conta de que também ele em Portugal foi já alvo de burlas. 

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Nas buscas foram apreendidos 12 mil cartões de telemóveis. O arguido, de nacionalidade brasileira, alega que os vendia por valores entre os 1,50 euros e os 3,50 euros. Henry diz ainda que com estes serviços para a empresa ganhava entre 2000 a 2500 euros por mês e nada declarava. Vivia com a mulher e o filho menor, num empreendimento com piscina em Esposende. 

A acusação do Ministério Público diz que o homem e a companheira integraram uma rede que se dedicava à prática massiva de burlas conhecidas como "olá pai, olá mãe". Os burlões contactavam as vítimas por telemóvel, fingiam que eram os seus filhos ou outros familiares e diziam que tinham um novo número. Depois pediam transferências de última hora para efetuar um pagamento importante ou pagar uma despesa. Foram neste caso identificadas cinco vítimas concretas, mas dado o MP diz que muitas outras pessoas não identificadas terão sido vítimas do esquema. 

Estão em causa crimes de burla qualificada, falsidade informática, branqueamento de capitais e associação criminosa. O Ministério Público ainda antes do arranque do julgamento apresentou um requerimento, onde pediu que, em caso de condenação, os arguidos sejam expulsos do país.   

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