"Tiveram de arrastar mais alguém para a fogueira": advogado defende que MP não tem provas contra Busquets e 'Mercan'
Advogado de Jordi Busquets diz nas alegações da operação Babel que Ministério Público "falhou em toda a linha".
Na reta final do julgamento da operação 'Babel', o advogado de Jordi Busquets e da empresa 'Mercan' defendeu que o Ministério Público não tem qualquer prova contra estes arguidos. João Lima Cluny começou as suas alegações finais por explicar que os seus clientes foram constituídos arguidos a 8 de maio de 2024, apenas oito dias antes da acusação ser deduzida.
“O nosso cliente só foi constituído arguido porque queriam imputar mais um crime ao engenheiro Patrocínio e à Fortera, tiveram assim de arrastar mais alguém para a fogueira. O MP não conseguiu provar nada a respeito dos meus constituintes, nada de nada. Não foi indicado um único email, uma única chamada telefónica. Nada é de facto o que o Ministério Público tem, não tem uma única prova contra Jordi Busquets. Mesmo assim, o MP pede a condenação”, afirmou João Lima Cluny.
A acusação do Ministério Público diz que em 2022 decorriam obras para a construção dos hotéis 'Azul', do grupo 'Fortera', e 'Riverview', da 'Mercan', mas foram detetados problemas numa escarpa em Gaia. Os procuradores sustentam que para evitar a paralisação das obras de dois hotéis, o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo, propôs que fossem os promotores dos projetos a custearem o custo das intervenções. Em troca terá prometido a isenção de taxas municipais em projetos futuros.
"Isto não surgiu para beneficiar a 'Mercan', mas sim para que o município pagasse a obra que tinha de suportar. Essa isenção se tivesse existido, que não existiu, não representava qualquer benefício. Apenas visava pagar o custo de uma obra, que tinha como objetivo resolver uma questão de segurança. A ‘Mercan’ nada ganhava, foi sempre cristalina", acrescentou o advogado, que pediu a absolvição.
Também o advogado de Luísa Aparício - antiga diretora do urbanismo na Câmara de Gaia - pediu a absolvição. A arguida vem acusada de ter praticado ilegalidades também nestes dois projetos, mas negou tudo em julgamento. "Não é qualquer prova contra a minha cliente, isto é uma mão cheia de nada", defendeu o advogado de Luísa Aparício.
A operação Babel foi desencadeada em maio de 2023 e levou a que Patrocínio Azevedo e Paulo Malafaia estivessem 23 meses em prisão preventiva. O Ministério Público diz que existiu um esquema de corrupção para favorecer projetos imobiliários do grupo Fortera. Estavam em causa projetos como o Skyline/ Centro de Congressos, o Riverside ou Hotel Azul. Sustenta a acusação que Patrocínio foi corrompido com 125 mil euros e ainda relógios.
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