Turista faz subida ilegal ao Pico. Teve de ser salvo e arrisca pagar multa e o resgate de helicóptero
Neerlandês de 31 anos aventurou-se na montanha mais alta de Portugal. Multa de mil euros. Horas de voo do EH-101 da Força Aérea devem chegar aos 10 mil euros.
Um turista neerlandês de 31 anos teve de ser resgatado por helicóptero da Força Aérea, na tarde de quarta-feira, após ter ficado 'preso' no topo da montanha do Pico, nos Açores. O Pico é a montanha mais alta de Portugal (2 351 metros de altitude) e para a subir é necessária uma autorização. O turista não a tinha - e por isso arrisca pagar até mil euros de multa pela atividade proibida - e estava fora do trilho. O regulamento regional diz que deverá ainda pagar o resgate: ou seja, o neerlandês pode vir a ter de pagar só em horas de helicóptero um valor próximo dos 10 mil euros.
Foi o próprio aventureiro a dar o alerta, contactando o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento das Lajes, a quem deu a sua localização, as condições físicas em que se encontrava (apresentava sinais de exaustão e desidratação) e o tempo de bateria que lhe restava no telemóvel, bem como a quantidade de água de que dispunha.
A Força Aérea comunicou com a Casa da Montanha, responsável pelo apoio e controlo das subidas e descidas na montanha do Pico. Esta ativou os bombeiros. Mas o homem encontrava-se numa escarpa que impossibilitava o resgate por via terrestre. Por essa razão teve de ser ativado um 'héli' EH-101 da Esquadra 752 'Fénix'.
O meio aéreo descolou da base das Lajes, pelas 19h00 locais, e o turista foi resgatado com sucesso e transportado para o centro de saúde do Pico, pelas 20h15 - oito horas após o alerta inicial.
De acordo com a Casa da Montanha, são "imputadas aos montanhistas as despesas inerentes ao resgate efetuado em resultado do incumprimento, ainda que negligente, do Regulamento, incluindo o desrespeito pelas normas de segurança aplicáveis ao montanhismo e pelas normas de conduta na Montanha do Pico, ou que tenha sido solicitado sem justificação, bem como em caso de subida não recomendada".
O turista estava, de acordo com o guia de montanha Renato Goulart, "sem sapatos adequados e completamente fora do trilho indo parar numa situação inacreditável na vertente Norte mais conhecido pelo " areeiro de Santa Luzia" numa fenda a 2240 metros onde não havia qualquer hipótese da equipe de resgate o poder ajudar devido o risco elevadíssimo de comprometer ainda mais a integridade física do turista e dos elementos da equipa de resgate, e a opção foi resgate de helicóptero por uma equipe especializada".
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