Venda falsa de casas de luxo na Grande Lisboa rende a grupo 10 milhões de euros. Há nove detidos
Vítimas são maioritariamente de nacionalidade chinesa e obtiveram as propriedades visadas nos crimes no âmbito dos vistos gold.
Uma rede de burlas milionárias, pela falsa venda de imóveis de Luxo, na Grande Lisboa, foi desmantelada pela Polícia Judiciária, esta terça-feira. O CM sabe que nove pessoas foram detidas, uma delas em flagrante delito por estar armada e que dois dos suspeitos são solicitadores.
Ao que o Correio da Manhã apurou, as vítimas são maioritariamente de nacionalidade chinesa e obtiveram as propriedades visadas nos crimes no âmbito dos vistos gold. Esta rede operava em diversas fases: primeiro falsificavam documentos e fingiam escrituras, com ajuda dos solicitadores, para credibilizar a aquisição dos imóveis aos verdadeiros proprietários, de seguida anunciavam a venda das casas e, assim que recebiam uma posta positiva ao anúncio, obtinham um sinal de 10% dos compradores e futuros donos das propriedades. O interior das casas, que não estavam na posse deste grupo e muito menos à venda, chegava a ser mostrado às vítimas. Para isso, a rede mudava a fechadura dos imóveis e invadia propriedade privada.
Num comunicado, a Polícia Judiciária indica que a investigação da operação "Chave Dourada" teve origem em queixas apresentadas em julho de 2025, por cidadãos estrangeiros que detinham vistos gold para residir em Portugal. A PJ adianta também que, no decurso da investigação, "foram realizadas dez buscas domiciliárias e não domiciliárias, na zona de Lisboa", assim como "foram apreendidos abundantes elementos com relevância probatória, automóveis de gama alta, documentação falsa, dinheiro, equipamentos informáticos e de telecomunicações".
A PJ indica que já foi possível recuperar diversos imóveis e "consideráveis vantagens obtidas com a venda fraudulenta dos mesmos, entre elas os saldos bancários de cerca de 1,5 milhões de euros".
Os detidos, com idades compreendidas entre os 26 e os 62 anos, serão presentes esta quarta-feira a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação. Os detidos respondem pelos crimes de associação criminosa, falsificação de documentos, burlas qualificadas e branqueamento de capitais.
Esta rede lucrou cerca de 10 milhões de euros.
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