Videojogo foi 'gatilho' para disparo acidental em Matosinhos
Tatuador atingiu a tiro um amigo, de 18 anos, durante conversa sobre o jogo 'GTA'. Crime ocorreu em casa.
Bruno Silva, de 29 anos, disse ao coletivo de juízes do Tribunal de Matosinhos que disparou acidentalmente contra um amigo, de 18, após uma conversa sobre o videojogo ‘GTA’ - que permite aos jogadores ‘cometerem’ crimes violentos como homicídios. O arguido, que trabalha como tatuador, pegou na arma quando estava em casa, em Perafita, com dois amigos. Um deles disse que o revólver era igual ao do jogo. Bruno concordou e começou a manusear a arma, que a certa altura disparou.
"Um dos meus amigos disse ‘Essa arma é igual à do GTA. É mesmo à rei’. Então eu, com a mão esquerda, fiz pressão no gatilho cinco ou seis vezes. Eu achava que não havia balas no tambor. Olhei sempre para a arma, que estava na direção da vítima, até que houve um estouro. Olhei e vi um buraco no abdómen dele. Para mim, ele é um filho. Até tenho o nome dele tatuado no corpo", disse Bruno, que está em prisão domiciliária.
O caso ocorreu a 3 de maio de 2019. Em audiência, o arguido disse que o revólver foi-lhe dado como forma de pagamento de uma tatuagem que fez. "Antes tinha dito que era do meu avô e que estava enterrado num campo de couves, mas menti. A arma atirei-a depois da ponte da Arrábida", contou.
A vítima também foi ouvida. "Ele premiu o gatilho e disse ‘E agora, se levasses um tiro, como é que era?’. Fiquei com medo de morrer", contou em tribunal.
O arguido responde por ofensa à integridade física grave por negligência consciente.n
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