Vítimas de abusos sexuais na Igreja vão fazer queixa aos tribunais
57 vítimas vão receber entre 9 e 45 mil euros, num valor total de 1,6 milhões de euros. Consideram o valor “uma afronta” e admitem apresentar queixa nos tribunais.
“A tabela de preços do sofrimento agora divulgada é uma afronta.” Foi desta forma que esta quinta-feira, ao início da tarde, António Grosso, da Associação Coração Silenciado, reagiu aos valores das indemnizações a pagar às vítimas de abusos sexuais na Igreja, divulgados pela Conferência Episcopal Portuguesa.
Os bispos anunciaram que 57 vítimas vão receber 1 609 650 euros, sendo que os montantes a pagar situam-se entre os 9 mil euros (valor mínimo) e 45 mil euros (valor máximo). António Grosso sublinha que esses valores estão muito abaixo da indicação dada pelo Papa Francisco, segundo a qual, cada vítima deveria ser compensada com o mínimo de 50 mil euros.
Uma das vítimas que presume integrar este grupo das 57 - já que não foi contactada pela Igreja a dizer que não era elegível - e que pretende manter o anonimato disse ao CM que admite avançar com uma queixa judicial.
“Para além dos valores serem ridículos, nós não conhecemos nada do processo que levou à atribuição dos valores e acho que devíamos ter sido ouvidos e conhecer o texto. Por isso, vamos pôr o caso em tribunal”, disse.
A Igreja recebeu 95 pedidos de compensação. Desses, 17 foram arquivados e 78 considerados elegíveis. No entanto, destes 78, nove estão ainda em análise, 11 foram indeferidos e um encontra-se pendente, a aguardar decisão da Santa Sé.
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