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Dois mortos em colisão

Dois mortos e sete feridos graves é o resultado de um brutal acidente ocorrido ontem, às 06h10, no IP5, próximo do nó de Figueiró, Viseu. O desastre verificou-se quando uma carrinha que levava oito pessoas se dirigia para o trabalho – limpeza do recinto da Feira de São Mateus – e embateu frontalmente contra uma viatura de matrícula espanhola conduzida por um distribuidor de jornais.

19 de agosto de 2006 às 00:00

De acordo com a BT-GNR de Viseu, o acidente aconteceu no quilómetro 81.7 do IP5, numa altura em que chovia com muita intensidade. A Mitsubishi L300 onde seguiam os oito funcionários da empresa Higilusa, com sede em Vale de Cambra, entrou em despiste e foi embater com violência contra uma Mercedes Vito.

O choque provocou a morte imediata a António Lopes, de 39 anos e condutor da viatura, e Maria Rosa Bastos, de 60 anos, que viajava no banco do meio do veículo.

Segundo Jorge Antunes, comandante dos Bombeiros Municipais de Viseu, “a carrinha onde viajavam os empregados de limpeza seguia numa zona com duas vias, despistou-se e foi embater num carro que seguia em sentido contrário”. O acidente foi provocado “pela chuva ou adormecimento do condutor”, referiu.

Os feridos – Hélder Palma, de 26 anos, Margarida Lopes (60), Carla Rufino (30), Evelina Fernandes (38), Piedade Pinto (66) e Maria Rosa (58), todos residente sem Cepelos (Vale de Cambra), e Francisco Mateus, de 44 anos, espanhol e residente em Salamanca, foram transportados para o Hospital de S. Teotónio de Viseu onde deram entrada com vários traumatismos.De acordo com o relações públicas do hospital, “apesar de apresentarem ferimentos graves não correm risco de vida”.

Os trabalhadores de Vale de Cambra dirigiam-se para Viseu para procederem à limpeza do recinto da Feira de São Mateus. À sua espera já estava Amílcar Rodrigues que estranhou a demora dos colegas de trabalho, mas só soube do acidente às 10h00.

“Vi passar muitas ambulâncias, mas longe de mim de pensar que era para socorrerem os meus colegas. Só mais tarde é que um senhor me disse que eles tinham tido um acidente”, disse ao CM.

Na Freguesia de Cepelos, Vale de Cambra, o ambiente era de consternação. “Eram todos daqui, conhecíamo-los a todos, é uma tragédia”, lamentavam ontem os populares. Em casa do condutor falecido, Manuel Lopes, pai de António Joaquim Pereira Lopes de 39 anos, explicou que ele era “bom filho, marido e pai”. A viúva, Olinda Lopes, estava em choque. A filha mais velha, Susana Patrícia, 16 anos, apoiada pelos amigos, lamentava nem se ter despedido do pai: “Ele saiu cerca das 04H45 e não lhe pude sequer dar um beijo.”

A notícia soube-a às10H00, quando o patrão do pai telefonou. “Eu gostava muito dele e ele gostava muito de nós e da minha mãe.” A imagem que guarda é de um pai que costumava brincar com ela e com o irmão Jorge Miguel, de oito anos. Abel Russo, gerente da empresa Higilusa, disse ter perdido “um excelente empregado e um amigo”. António Lopes era motorista na empresa de limpeza há cerca de oito anos.

MEIOS DE SOCORRO

As vítimas do acidente foram assistidas por 21 bombeiros das corporações de Viseu e Vouzela, que levaram para o local dez viaturas, entre ela duas de desencarceramento e seis ambulâncias. No local esteve também uma equipa médica do INEM que prestou os primeiros socorros às vítimas.

VIA CORTADA

Devido ao acidente, o IP5 esteve cortado ao trânsito nos dois sentidos durante duas horas, o tempo levado pelos bombeiros para a remoção das viaturas e a limpeza da estrada. O corte provocou filas de trânsito de vários quilómetros.

TROÇO PERIGOSO

O local onde se verificou o desastre é considerado “muito perigoso” pelos bombeiros, porque não tem separador central. Trata-se do único troço do antigo IP5 (Aveiro-Vilar Formoso) que ainda não está transformado em auto-estrada.

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