Foi um milagre eles não terem morrido. Podia ter acontecido uma tragédia”. O desabafo de José Flávio, comandante dos Bombeiros da Covilhã, espelha o sentimento geral das dezenas de pessoas que ontem assistiram, ao longe, à queda de um avião que participava num festival aéreo que decorria no aeródromo daquela cidade. O avião caiu quase a pique sobre uns amieiros e salgueiros na ribeira de Boidobra.
Na aeronave seguiam o piloto, suíço, de 32 anos, e uma jornalista, 23 anos, de uma televisão local de Castelo Branco, que fazia o baptismo de voo. Ambos sofreram apenas escoriações e foram assistidos no Hospital Pêro da Covilhã.
O avião era um Chipmunk – uma aeronave histórica da Força Aérea Portuguesa adquirida por um clube suíço – e participava no festival desde a manhã. Às 16h30, segundos depois de ter sobrevoado o aeródromo, ganhou alguma altitude e quando voava na vertical entrou em perda e acabou por se despenhar.
“Deu-me a ideia de que o motor falhou e o avião entrou em perda”, disse ao CM Ezequiel Barata, que assistiu ao acidente e seria o próximo a voar com o filho (ver caixa). “Vi o avião a cair a pique e ainda pensei que fosse alguma acrobacia”, adiantou Carlos Seabra, participante no festival na classe de aeromodelismo e que também testemunhou a queda.
Segundo o comandante dos bombeiros da Covilhã, a aeronave perdeu o leme da cauda num pinheiro e depois caiu sobre as árvores, amortecendo a queda. “Foi muita sorte porque o avião podia ter-se incendiado”, refere José Flávio, salientando que o piloto foi o primeiro a sair e depois retirou a ocupante. “Quando lá chegámos estavam muito nervosos mas também aliviados”, concluiu.
Depois do acidente o festival foi interrompido e as pessoas acorreram ao local onde estava o avião sinistrado, mergulhado na vegetação. A área foi interdita pela GNR até à chegada dos inspectores que vão investigar as causas da queda.
PORMENORES
ESCUDO NO AVIÃO
Apesar de já pertencer a um grupo suíço, na fuselagem do avião ainda estava o símbolo da Força Aérea Portuguesa.
INVESTIGAÇÃO
As causas que estiveram na origem da queda da aeronave vão ser investigadas pelo Instituto Nacional de Aeronáutica Civil.
MEIOS DE SOCORRO
No local estiveram dez bombeiros, com um auto-tanque com 500 litros de espumífero de combate a fogo e uma ambulância medicalizada.
CRONOLOGIA
ACIDENTES DE AVIAÇÃO
24 Maio Funchal – Aeronave despenha-se no aeroporto: um morto e um ferido.
13 Junho Seia – Helicóptero cai na serra da Estrela: três feridos.
12 Julho Porto – Queda de avioneta em P. Lima: um morto.
17 Julho Santarém – Aeronave capota a aterrar: um ferido.
12 Agosto Fundão – Aterragem de emergência: sem feridos.
14 Agosto Évora – Bimotor cai: dois ocupantes mortos.
16 Agosto Setúbal – Aeronave ligeira cai: piloto morto.
15 Setembro Beja – Avioneta cai em Castro Verde: três mortos.
"OS PRÓXIMOS A VOAR ERA EU E O MEU FILHO..."
Na altura em que se deu o acidente encontravam-se no aérodromo da Covilhã dezenas de pessoas que aguardavam vez para o baptismo de voo. Ezequiel Barata, 55 anos, já tinha bilhete para si e para o filho. Iam voar a seguir, se o avião não se tivesse despenhado.
"Foi por pouco. Se o avião tivesse aterrado os próximos a voar era eu e o meu filho", conta aliviado Ezequiel Barata, reformado da Força Aérea, da área da manutenção. No entanto, a queda da aeronave não lhe tirou a vontade porque acidentes destes "são uma anormalidade. Aconteceu alguma falha mecânica porque estes pilotos são muito experientes".
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