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Professor abusa das duas filhas

Acusado de 97 crimes de abuso, coação e importunação sexual em Ponte de Lima. Nunca foi detido.

25 de março de 2019 às 01:30
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Professor abusa das duas filhas

Um professor de 59 anos, de Ponte de Lima, está a ser julgado no Tribunal de Viana do Castelo por ter abusado sexualmente das duas filhas, ambas menores. O docente, que nunca foi detido e apenas quando foi acusado acabou afastado do ensino público, responde também por abusos a uma amiga das meninas. O professor responde por 97 crimes de abuso, coação e importunação sexual, quase todos na forma agravada. O julgamento decorre à porta fechada.

Segundo a acusação do Ministério Público, consultada pelo CM, os abusos sexuais às menores aconteciam quase sempre nos períodos em que a guarda das crianças era confiada ao pai. O professor estava divorciado da mãe das meninas e partilhava a guarda durante as férias.

A maior parte dos crimes foram praticados sobre a filha mais velha, que chegou mesmo a ser internada compulsivamente e medicada, devido aos ataques de pânico que sofria.

Segundo a acusação, os primeiros abusos sexuais ocorreram em 2003, ainda antes do divórcio dos pais, quando a filha mais velha, agora com 23 anos, tinha apenas sete. O MP diz que "o arguido, pelo menos uma vez por semana, dirigia-se ao quarto da filha menor, com o propósito de a adormecer", e tocava nos seios e genitais da menina.

Os ataques do predador só cessaram em 2016, quando a filha mais velha relatou à mãe os atos de que era vítima. Só nessa altura a menina mais nova ganhou coragem para contar à mãe que também tinha sido vítima das investidas do pai, por várias vezes, durante as férias da Páscoa e de verão. O arguido foi então denunciado à Polícia Judiciária de Braga, mas nunca chegou a ser detido. Manteve-se, inclusive, a dar aulas.

PORMENORES

Proibido de ver filhas

Só depois de ter sido deduzida a acusação, e com o propósito de evitar a continuação da atividade criminosa, o professor de 59 anos foi proibido de contactar com as duas filhas. O tribunal decidiu suspender o exercício das responsabilidades parentais ao arguido.

Amiga resistiu a abuso

A amiga da filha mais nova do arguido, que é também assistente neste processo, resistiu às investidas do predador. A menina, então com 9 anos, passou duas noites com a amiga, em casa do docente.

"Utilizou força física"

A acusação diz que o arguido, "utilizando da força física", obrigou a filha mais velha a "suportar uma atividade de acentuada natureza sexual, contra a sua vontade", condutas que "molestavam a integridade psicológica e emocional" da criança, "prejudicando gravemente a sua liberdade sexual".

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