Azeredo Lopes será interrogado na segunda-feira, no tribunal de Monsanto, a pedido da sua defesa.
Paulo Lemos, o arrependido que chegou a ser arguido no caso de Tancos, nega ter sido pago pela Polícia Judiciária para funcionar como agente encoberto e diz que fez todos os possíveis para evitar o assalto aos paióis.
Segundo o advogado do arguido Luis Vieira, ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, Paulo Lemos, conhecido como "Fechaduras", disse que não participou em qualquer ação encoberta definida pela PJ e que não recebeu dinheiro da polícia pelos serviços prestados.
Paulo Lemos diz que fez todos os possíveis para evitar assalto de Tancos
"O senhor Paulo Lemos afirmou hoje que fez todos os possíveis para que o assalto não se concretizasse. Nega ter recebido dinheiro e instruções da PJ, ter participado em qualquer ação encoberta, mas assume que se encontrou duas ou três vezes com inspetores", segundo Manuel Ferrador.
Para o advogado, a informação relevante dada por Paulo Lemos perante o juiz foi o facto de ele ter dito que "o assalto poderia ter sido evitado porque informou a procuradora do Porto [Teresa Morais] e o inspetor da PJ".
A testemunha foi ilibada no processo do furto e recuperação das armas Tancos, após o Ministério Público ter considerado que demonstrou um "arrependimento ativo" tendo em conta que colaborou nas investigações da PJ.
Paulo Lemos chegou a estar indiciado por associação criminosa, mas depois de ter dado "informações essenciais" ao arguido João Paulino, alegado cabecilha do furto e que esteve presente na sessão, arrependeu-se e deixou de estar implicado no caso.
Para o defensor do sargento da GNR Lima Santos, o testemunho de Paulo Lemos "foi muito profícuo, elucidativo e produtivo".
"Permitiu-nos saber melhor e perceber qual a intervenção nesse processo e a forma como interveio. Conheceram-se os contornos, isto é, como se faziam os contactos entre a PJ e a testemunha", referiu o advogado Luis Campos.
Para o MP, a atuação de ´Fechaduras´ foi "reveladora de um esforço sério, uma conduta própria, espontânea e idónea para evitar que os crimes viessem a ser consumados", atitude que integra o conceito penal de "desistência", mas as defesas de alguns arguidos consideram que Paulo Lemos foi instrumentalizado pela PJ civil.
Na fita do tempo do processo, é referido que em 10 de março de 2017 Paulo Lemos almoçou com João Paulino e Fernando Guimarães ("Nando") e foi nesse encontro que o alegado mentor do furto contou o plano do assalto aos paióis, tendo prometido à testemunha, caso participasse, 50 mil euros.
Após o referido almoço, diz o MP no despacho de acusação, Paulo Lemos refletiu no seu passado de crimes violentos relacionados com o controlo de estabelecimentos de diversão noturna do Porto e nas consequências que tiveram na sua vida, lembrou-se que tinha jurado à mãe que não ia ser preso e decidiu não participar no assalto, tendo telefonado a uma procuradora a contar-lhe a proposta que tinha recebido para assaltar Tancos.
O processo de Tancos tem 23 acusados, entre as quais o ex-ministro da Defesa José Azeredo Lopes, que está acusado de prevaricação, abuso de poder, denegação de justiça e favorecimento de funcionário.
Nove dos arguidos são acusados de planear e executar o furto do material militar e os restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento, na chamusca.
Azeredo Lopes será interrogado na segunda-feira, no tribunal de Monsanto a pedido da sua defesa.
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