António Silva Ribeiro considera que eventual candidatura presidencial do atual chefe da Armada têm “afetado a estabilidade das Forças Armadas”.
“Papel do almirante Gouveia e Melo é comandar a Marinha”, afirma antigo chefe das Forças Armadas à CMTV
O almirante António Silva Ribeiro, que há um mês abandonou o cargo de chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas por limite de tempo (5 anos) na função, afirmou esta terça-feira na CMTV que as conversas em torno de uma eventual candidatura presidencial de Gouveia e Melo, chefe da Armada, “perturbam a Marinha e as Forças Armadas”. “É altamente pernicioso. O papel do almirante Gouveia e Melo é comandar a Marinha. Isso tem afetado a estabilidade das Forças Armadas”, considerou.
Na primeira e única entrevista após deixar o cargo, o anterior CEMGFA afirmou que, no seu entendimento, houve “erro humano e não avaria” no último caso (apagão após falta de combustível) com o navio ‘Mondego’. E que os eventos de 11 de março - recusa de militares em cumprir a missão por alegadas avarias no patrulha - têm de ser distinguidos “entre as questões de manutenção [ver caixa] e a dos 13 que recusaram”. “Os militares ofenderam os deveres de disciplina e hierarquia. É o comandante do navio quem decide se há condição para a missão. A insubordinação é crime”. Sobre a forma como Gouveia e Melo geriu o caso, Silva Ribeiro afirmou que “não é meu papel julgar os chefes militares, nem o vou fazer”, e insistiu que “a indisciplina dos 13 militares é o cerne da questão” e “não pode ser permitida”.
O almirante António Silva Ribeiro, que há um mês abandonou o cargo de chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas por limite de tempo (5 anos) na função, afirmou esta terça-feira na CMTV que as conversas em torno de uma eventual candidatura presidencial de Gouveia e Melo, chefe da Armada, “perturbam a Marinha e as Forças Armadas”. “É altamente pernicioso. O papel do almirante Gouveia e Melo é comandar a Marinha. Isso tem afetado a estabilidade das Forças Armadas”, considerou.Na primeira e única entrevista após deixar o cargo, o anterior CEMGFA afirmou que, no seu entendimento, houve “erro humano e não avaria” no último caso (apagão após falta de combustível) com o navio ‘Mondego’. E que os eventos de 11 de março - recusa de militares em cumprir a missão por alegadas avarias no patrulha - têm de ser distinguidos “entre as questões de manutenção [ver caixa] e a dos 13 que recusaram”. “Os militares ofenderam os deveres de disciplina e hierarquia. É o comandante do navio quem decide se há condição para a missão. A insubordinação é crime”. Sobre a forma como Gouveia e Melo geriu o caso, Silva Ribeiro afirmou que “não é meu papel julgar os chefes militares, nem o vou fazer”, e insistiu que “a indisciplina dos 13 militares é o cerne da questão” e “não pode ser permitida”."Corrigir cortes na manutenção"
“Da panóplia de meios das Forças Armadas, nem todos têm capacidade operacional”, assumiu o ex-CEMGFA. Isso por falta de orçamento. “É preciso corrigir os efeitos dos cortes na manutenção desde 2010, que são cumulativos. Há que repor os valores de 2009”, afirmou António Silva Ribeiro, que assume este mês como cronista do CM e comentador da CMTV
"Problema complexo"
O almirante António Silva Ribeiro disse que, no âmbito da NATO, “Portugal tem feito o que deve face à sua capacidade”, com reforço de meios na Roménia e Lituânia. “Não” é, afirmou, um esforço em demasia para as Forças Armadas portuguesas, mesmo havendo “um problema complexo” com a falta de recursos humanos. “O que importa é hierarquizar medidas [para recrutar e reter pessoal] e ouvir o que os militares dizem quando querem entrar e quando querem sair.”
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