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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

65 mil carros fora da Baixa

A partir de hoje e durante quatro meses, a circulação automóvel fica interdita na av. Ribeira das Naus e nas duas ruas laterais da praça do Comércio, em Lisboa. A reorganização do trânsito cria fortes condicionantes de circulação entre as zonas oriental e ocidental da capital, na sua frente ribeirinha, uma vez que a passagem entre o Campo das Cebolas e o Corpo Santo, efectuada pela rua da Alfândega e rua do Arsenal, não tem a mesma capacidade de escoamento da av. Ribeira das Naus.<br/><br/>

15 de fevereiro de 2009 às 00:30

A profunda alteração das acessibilidades na Baixa Pombalina resulta da consolidação do torreão poente do Terreiro do Paço, com um custo de 900 mil euros. As restantes três obras no local têm um custo de 26 milhões de euros e visam a construção de duas caixas de intercepção de esgotos, um colector pluvial e a substituição de uma conduta de água com uma extensão de 640 metros. As obras obrigam também à alteração do percurso de uma parte significativa de carreiras da Carris.

A possibilidade de circular para norte pela rua da Madalena também apresenta fortes restrições. A remodelação implica ainda a interdição da ligação entre o eixo constituído pela avenida da Liberdade e avenida Almirante Reis com o eixo ribeirinho que integra a avenida Ribeira da Naus, praça do Comércio e av. Infante D. Henrique.

No Terreiro do Paço circulam diariamente 65 mil veículos entre as 07h00 e as 21h00. Mas, para 75% dos automobilistas, a escolha da Ribeira das Naus surge como um atalho para outros destinos que não a Baixa Pombalina. Para a Câmara de Lisboa o futuro destes veículos não passará mais pelo Terreiro do Paço. Embora as alterações ao trânsito automóvel entrem hoje em vigor, a prova-de-fogo será amanhã, com o regresso ao trabalho de milhares de automobilistas. O Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego da Câmara Municipal de Lisboa recomenda aos automobilistas que circulem entre os lados ocidental e oriental da cidade que tomem uma das circulares.

Nas ligações entre a Almirante Reis e o Cais do Sodré, a melhor alternativa é circular para oeste com destino ao Largo do Rato e então tomar a rua da Escola Politécnica.

CORTE DEFINITIVO

O plano de mobilidade visa a exclusão de circulação na Baixa Pombalina em definitivo. Após os quatro meses de obras, ficará então a circular um corredor de trânsito junto do Cais das Colunas, entre as avenidas Infante D. Henrique e Ribeira das Naus. Com estas alterações 'será necessário adaptar o dispositivo policial, ao nível do trânsito nessas áreas', divulgou a PSP em comunicado.

MOSTRA SOBRE O FUTURO

‘Lisboa – O Plano da Baixa Hoje’ é o nome da exposição patente na ala poente da praça do Comércio sobre o plano de reabilitação da Baixa Pombalina, criado após o Terramoto de 1755. A mostra termina com uma projecção sobre como será o futuro deste património, segundo o plano de requalificação da autarquia.

Até 2020, a Baixa-Chiado irá sofrer uma transformação só comparável ao trabalho realizado na zona da Expo. O objectivo é aumentar a população de cinco mil moradores para 18 mil moradores. O investimento, superior a mil milhões de euros, terá resultados positivos na qualidade do ar e na entrega da cidade aos peões.

A frente ribeirinha da Baixa Pombalina vai acolher passeios amplos, árvores e esplanadas ao mesmo tempo que haverá uma forte reabilitação dos edifícios degradados . A circulação automóvel será condicionada por passadeiras e semáforos para servir o trânsito local. Segundo o comissário científico da exposição, Walter Rossa, 'um dos seus objectivos é explicar que a Baixa só faz sentido sendo vivida'.

SAIBA MAIS

POPULAÇÃO IDOSA

Na Baixa, 77,6% da população tem mais de 70 anos. 96,4% vive de uma pensão ou reforma, 60% tem a 4.ª classe e 88% vive em casa arrendada.

1000

Número de carros pertencentes aos cerca de cinco mil habitantes da Baixa. Lisboa conta com 142 mil carros registados, mas diariamente 400 mil veículos dos concelhos vizinhos chegam à capital.

200 000

pessoas deslocam-se diariamente de fora de Lisboa para a Baixa. A maioria chega de transportes públicos. Destas, 52 mil são provenientes da Margem Sul.

QUALIDADE DO AR

No último Dia sem Carros a poluição por ozono caiu para metade do valor habitual. Estudo da Quercus revela que, em nove dias, sete apresentavam valores de poluição prejudiciais.

21 000

quilos de mercúrio estão depositados no estuário do Tejo, um dos mais poluídos da Europa.

REACÇÕES

'O COMÉRCIO NA BAIXA VENDE CADA VEZ MENOS' (Mário Faria, Comerciante)

'Com o Dia dos Namorados consegue-se vender mais alguma roupa interior, mas é pouco. As vendas na Baixa estão a piorar tanto em quantidade como em qualidade de dia para dia e há cada vez mais lojas a fechar. Há cada vez menos pessoas a trabalhar nesta área e esta é uma zona que está esquecida. Precisa que seja feito um investimento forte para revitalizar.'

'É PRECISO ENCHER TODAS ESTAS CASAS VAZIAS' (Isabel Santos, Florista)

'O negócio das flores está muito fraco. Penso que o maior problema não é a crise mas haver cada vez menos pessoas a viver na Baixa. Antigamente, os prédios estavam todos habitados e as pessoas vinham para a rua comprar. Agora, vivem longe e compram flores noutros sítios. Para a Baixa ficar bem é preciso encher todas estas casas vazias.'

'ESTA OBRA JÁ DEVIA TER SIDO FEITA AO TEMPO' (José Pinto, Taxista)

'A partir de segunda-feira não sei como é que vai ser com o trânsito, perante milhares de automobilistas que estão habituados aos mesmos caminhos e com este corte do trânsito no Terreiro do Paço não sabem o que fazer. Esta obra já deveria ter sido feita ao tempo. O melhor teria sido quando andaram a fazer o túnel do Metro. Agora será muito complicado, pois o trânsito cada vez está pior.'

 

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