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Acusados em Vale do Lobo

O empresário de nacionalidade holandesa Sander van Gelder, até ontem dono do empreendimento de luxo Vale do Lobo, no Algarve, é acusado pelo Ministério Público (MP) de Loulé de ser o mandante de quatro crimes: um de introdução em local vedado ao público, dois de coacção e um de ursurpação de coisa imóvel. A soma desses crimes, segundo a lei, é punida com cinco anos de prisão, apurou o CM.

22 de dezembro de 2006 às 00:00

Além do empresário, o MP acusa ainda, por indícios dos mesmos crimes, mais nove cidadãos: Luís Fernando Dias de Matos (director técnico de Vale do Lobo), Mário José Monteiro de Carvalho, José Horácio Oliveira Rodrigues, António Manuel Pereira Damião, José Mariano Palma Constantino, Nuno Daniel Fernandes Costa, Filipe Miguel da Conceição Costa Mendonça, Sérgio Manuel Morais da Silva e Vítor José Santos Dias Câmara.

A Justiça acusa van Gelder e o director técnico do empreendimento (Luís de Matos) de, no final de 2004, terem contratado os oito agora arguidos para se apoderarem à força do estabelecimento Palm Terrace, um restaurante, e bares anexos, situado na praça do Vale do Lobo, gerido pela empresa Daniel Pires e Filhos. O Palm Terrace é propriedade de Vale do Lobo mas foi concessionado à Daniel Pitres e Filhos.

Na madrugada de 16 de Novembro de 2004, estes últimos oito arguidos, operacionais de segurança (alguns da empresa de segurança Águias do Sul), terão invadido as instalações do Palm Terrace, alguns deles fardados e encapuzados. Na ocasião, encontravam-se no restaurante dois funcionários que pernoitavam e guardavam o estabelecimento. Segundo consta, os oitos indivíduos, a mando de Van Guelder, obrigaram os dois funcionários da Daniel Pires e Filhos a saírem do estabelecimento, impediram-nos de usar o telemóvel e ocuparam o restaurante. Terá havido coacção psicológica, destruição de material e foram retirados alguns bens.

Na sequência da denúncia, o MP arquivou a queixa de crime de furto simples e qualificado, crime de ofensa à integridade física e de sequestro, assim como crime de prevaricação (a GNR esteve no local, mas ficou provado que actuou dentro da lei). Apesar do caso ter ocorrido em 2004, só agora foram deduzidas as acusações aos dez arguidos.

Instado pelo CM a explicar a sua posição, Daniel Pires, da Daniel Pires e Filhos, recusou-se a prestar declarações. Apesar de ter tido um dia muito preenchido, Van Gelder respondeu, reafirmando que “o estabelecimento Palm Terrace, o qual é propriedade de Vale do Lobo, foi objecto de uma decisão do Tribunal da Relação de Évora que ditou a sua entrega ao seu proprietário, o que aliás vai ocorrer amanhã, dia 22 [hoje]”. Sobre a acusação do MP, Van Gelder afirmou: “Apenas direi que tenho confiança e acredito na Justiça portuguesa.”

RESORT DE LUXO FOI VENDIDO

Van Gelder, o empresário que em 2005 anunciou ter intenção de construir uma ilha artificial ao largo do Vale do Lobo, acabou de vender o empreendimento turístico de luxo.

Conforme foi ontem anunciado, o novo presidente executivo (CEO) de Vale do Lobo é Diogo Gaspar Ferreira, ex-administrador da multinacional holandesa Multi-Development Corporation. Van Gelder manterá o cargo de presidente sem funções executivas.

Os restantes membros não executivos são Horta e Costa, ex-administrador financeiro da EDP, Francisco Cruz Martins, advogado, e Jorge Guimarães, gestor, em representação da CGD. Estão previstos investimentos no Vale do Lobo da ordem dos 500 milhões de euros. Segundo um comunicado ontem divulgado, a construção da ilha artificial ao largo da costa mantém-se, o que representa um investimento de 1500

FECHADO HÁ MAIS DE DOIS ANOS

O restaurante Palm Terrace, gerido pela empresa Daniel Pires e Filhos, por concessão do empreendimento Vale do Lobo, iniciou a sua actividade em Maio de 2002, mas só funcionou até Outubro de 2004. O restaurante, situado em plena praça do Vale do Lobo, junto da praia, tinha capacidade para cerca de 600 pessoas e chegou a dar, em média, 20 empregos por ano.

Em 2004, Daniel Pires rescindiu unilateralmente o contrato de concessão com um pedido de indemnização de cerca de 15 mil euros. Gerou-se então alguma tensão entre o Vale do Lobo e a Daniel Pires e Filhos, que terminou com o alegado assalto, a16 de Novembro de 2004, ao restaurante. Iniciou-se então um processo cível pela posse do mesmo. Além do processo crime, corre, assim, um processo cível, que já teve duas audiências. Três novas audiências ficaram marcadas para os dias 19 e 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro. Tanto quanto o CM conseguiu apurar, a empresa Daniel Pires e Filhos vai pedir uma indemnização civil.

Sander van Gelder nasceu em Amesterdão, Holanda, em Fevereiro de 1937. Estudou no seu país

e na Alemanha, nas áreas de Engenharia e Joalharia e, mais tarde, Marketing e Economia. A seguir ao 25 de Abril de 1974 veio de férias ao Algarve, gostou de Vale do Lobo, onde comprou uma casa e uma pequena área de construção. Começava a edificação de um empreendimento de luxo que, actualmente, tem 400 hectares de extensão e emprega 250 pessoas directamente e cerca de 3000 indirectamente, em regime de subcontrato. Tem casa na Suíça e alguma família na Holanda.

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