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Advogado VIP detido por burla milionária

Centenas de vítimas francesas em esquema de fraude em pirâmide.

21 de setembro de 2017 às 01:30

É advogado VIP do Porto: Miguel Moreira dos Santos, filho de Gil Moreira dos Santos - o advogado ‘oficial’ de Pinto da Costa - também ele já representou os azuis-e-brancos em vários processos. Agora, foi preso pela PJ de Lisboa, à porta de casa, no âmbito de um mandado internacional e arrisca prisão preventiva.

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Advogado VIP detido por burla milionária

Miguel Moreira dos Santos é suspeito de envolvimento num esquema milionário de burla em pirâmide. Estava no topo de uma organização com um sistema similar a um ‘esquema Ponzi’ e prometia dinheiro fácil, com um retorno que nem os próprios bancos e outras instituições financeiras – reguladas por organismos públicos – conseguiam oferecer.

Já terá havido centenas de vítimas em França e os prejuízos são de milhares de euros. Não só Miguel Moreira dos Santos foi detido, a investigação atinge ainda empresários franceses igualmente líderes do esquema. O CM tentou contactar José Ricardo Gonçalves, o advogado que hoje defenderá Miguel Moreira dos Santos, o que não foi possível até ao fecho da edição.

Ainda segundo o CM apurou, a investigação tem vários meses. A empresa usada para a burla teria sido criada na internet, não se sabendo ainda se os indícios do crime apontam para que os mesmos tenham sido cometidos no nosso país ou noutro país europeu. Será determinante para validar ou não o pedido de extradição.

Recorde-se ainda que Miguel Moreira dos Santos foi baleado há dois anos junto ao escritório. O crime nunca foi esclarecido e no ar ficaram algumas suspeitas de ajustes de contas.

Miguel Moreira dos Santos está há muitos anos ligado ao Futebol Clube do Porto. Foi sócio fundador de um escritório de advogados com Adelino Caldeira, ex-administrador do FC Porto; o seu pai, Gil Moreira dos Santos; e Jorge Cernadas, o advogado que agora representa os dragões, contra o Benfica, no polémico caso de divulgação dos emails.

Ouvido hoje por juiz desembargador

O advogado, que foi detido nas imediações de sua casa, vai ser presente, hoje, às 11h00, a um juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto.

Trata-se de um mandado de detenção europeu e, por isso, será avaliada a extradição e aplicada uma medida de coação.

SAIBA MAIS 

15

milhões de euros foi o valor angariado por um homem detido pela PJ por ter burlado cerca de 13 mil pessoas, recorrendo ao mesmo esquema. O homem "simulava dedicar-se à comercialização de produtos informáticos", num esquema de pirâmide, em que os aderentes poderiam ganhar dinheiro com a entrada de novos clientes.

Promessas falsas

As burlas em pirâmide têm cada vez mais lesados que, atraídos pelos indivíduos que os convocam para reuniões, são convencidos a investir dinheiro, com a promessa de uma remuneração elevada. Basta, para isso, angariarem novos investidores.

Judiciária alerta

A PJ tem vindo a lançar alertas para a ilegalidade do esquema, onde todos os participantes estão a cometer um crime. Explica que o investidor "pode ser o último da cadeia e como tal não recuperar o capital investido".

É advogado em megafraude das cartas

Miguel Moreira dos Santos é um dos advogados no conhecido processo com mais de 100 arguidos, entre eles alunos e examinadores, envolvidos numa megafraude para a obtenção de cartas de condução.

Defende filho de sucateiro do ‘Face Oculta’

Miguel Moreira dos Santos esteve envolvido em vários processos mediáticos. Defende, por exemplo, num processo que ainda corre, Paulo Godinho, um dos filhos do sucateiro de Aveiro, tido como o principal arguido do processo ‘Face Oculta’. É um caso que está em julgamento e no qual se investigam várias fraudes.

Passa a noite na cadeia anexa à PJ  

Depois de ter sido detido pelos inspetores perto de casa, no Porto, Miguel Moreira dos Santos foi levado para as instalações da Polícia Judiciária. Passou a noite na cadeia anexa ao edifício.

PJ investiga tiros contra advogado à porta do escritório

Miguel Moreira dos Santos foi baleado no antebraço, na Foz do Douro, no Porto, em fevereiro de 2015. Os tiros disparados contra o advogado portuense podem ter-se tratado de uma emboscada que a Polícia Judiciária nunca conseguiu esclarecer.

Os disparos - que continuam a ser investigados - aconteceram à porta do escritório, na rua Marechal Saldanha, onde o advogado trabalhava. O atirador, que seguia numa mota, atingiu o causídico com quatro balas que lhe provocaram ferimentos. O suspeito conduzia uma scooter preta e usava capacete. Tinha a cara tapada e ninguém conseguiu tirar a matrícula.

No arranque da investigação, todas as hipóteses foram colocadas em cima da mesa. A PJ chegou a considerar tratar-se de um crime passional, já que Miguel Moreira dos Santos estava com a companheira que, no momento do crime, conseguiu fugir mas foi perseguida. A hipótese de se tratar de um ajuste de contas também foi colocada.

O atirador nunca foi descoberto, mas tudo leva a crer que foi um crime premeditado.

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