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Agentes ouvidos no julgamento da morte de Odair Moniz garantem existência de faca no local

Odair Moniz foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir à PSP e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.

Atualizado a 11 de março de 2026 às 16:33

Arrancou, esta quarta-feira, mais uma sessão do julgamento de Odair Moniz, o homem que morreu na Cova da Moura, na madrugada de 21 de outubro de 2024, após ter sido baleado duas vezes por um agente da PSP. Os agentes ouvidos garantem a existência de uma faca no local, no entanto, o testemunho de quando a viram diverge.

Nesta sessão, foram ouvidos dois agentes da Polícia de Segurança Pública que estiveram no local para prestar apoio à equipa inicial. Um deles explicou, durante o depoimento, que viu uma faca no chão já depois da chegada das equipas médicas, por outro lado, o colega que estava consigo garante ter visto essa mesma faca antes da chegada dos socorristas, no chão, perto da mão esquerda da vítima. 

Os agentes aproveitaram o depoimento para garantir que se preocuparam com a integridade física da vítima. 

À saída do tribunal, no intervalo da sessão, foi possível ouvir a palavra "mentiroso" de alguém que assistia ao julgamento. 

Foi ainda ouvida uma terceira agente que chegou ao local para apoiar a operação, no entanto mostrou muita dificuldade em precisar os momentos. Em resposta ao procurador que se mostrou revoltado com a falta de memória, afirma: "Estou no tribunal, se não me lembro não posso inventar".

Esta terceira agente diz também ter visto a faca do lado esquerdo da vítima, perto da mão, a 10/15 centímetros da cintura, entre o corpo de Odair e a parede. 

Durante o julgamento desta quarta-feira foi também ouvido o chefe coordenador da PSP, da esquadra de Alfragide, que explica ter chegado ao local já depois dos disparos e com Odair no chão. Questionou quem tinha efetuado os disparos e o agente e arguido Bruno Pinto assumiu a responsabilidade. 

O arguido Bruno Pinto esteve presente durante toda a sessão que será retomada no dia 25 de março. 

Odair Moniz, de 43 anos e residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir à PSP e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.

Segundo a acusação do Ministério Público, datada de 29 de janeiro de 2025, o homem cabo-verdiano foi atingido por dois projéteis, um primeiro na zona do tórax, disparado a entre 20 e 50 centímetros de distância, e um segundo na zona da virilha, disparado a entre 75 centímetros e um metro de distância.

No despacho do Ministério Público não é referida qualquer ameaça com uma arma branca por parte de Odair Moniz.

Bruno Pinto, em liberdade e suspenso de funções há cerca de um ano, está acusado de homicídio, crime cuja pena pode ir de oito a 16 anos de prisão.

Publicada originalmente a 11 de março de 2026 às 16:13

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