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Morador da Cova da Moura contraria agente que diz ter visto faca no local onde Odair Moniz morreu

Odair Moniz, de 43 anos e residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024.

11 de fevereiro de 2026 às 17:25

Uma agente da PSP que esteve no bairro da Cova da Moura na madrugada em que Odair Moniz morreu com dois tiros disparados por um polícia, disse esta quarta-feira ter visto um punhal junto ao corpo, versão contrariada por um morador.

Na sessão desta quarta-feira do julgamento do agente da PSP acusado do homicídio de Odair Moniz em 21 de outubro de 2024, a agente de investigação criminal da PSP Inês Oliveira garantiu que o homem que morreu tinha duas bolsas na cintura e que existia um punhal no local.

"Vejo um punhal, sei que estava ao pé das bolsas", recordou a agente da PSP, em resposta ao procurador do Ministério Público.

No entanto, em relação ao punhal, a agente Inês Oliveira não conseguiu garantir perante o coletivo presidido pela juíza Ana Sequeira que a arma branca estava no local desde que chegou à Cova da Moura, minutos depois da morte de Odair Moniz. Questionada várias vezes sobre o punhal, a agente da PSP só conseguiu afirmar que viu um punhal no chão depois da chegada da Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER).

"Era possível estar ali o punhal e não o ter visto?", questionou um dos juízes, tendo a agente de investigação criminal respondido: "Assumo que sim". A falta de luz foi uma das razões utilizadas para justificar o facto de não ter visto antes a faca encontrada no local.

"Não creio que [a faca] não estivesse [no local desde o início]", sublinhou, sem dizer, ainda assim, que viu o objeto antes da chegada da ambulância e em resposta ao juiz que mencionou testemunhas já ouvidas, incluindo um agente da PSP, que dizem não ter visto qualquer punhal no local.

Sobre a existência de duas bolsas, que é outra das dúvidas que tem sido colocada ao longo do julgamento, a agente disse ter "a perceção de que eram duas bolsas" e que levantou as duas bolsas quando procurou os ferimentos provocados pelas duas balas disparadas.

"Tenho a perceção de que sim, que quando estavam à cintura estavam fechadas", acrescentou a agente, dizendo também lembrar-se de ver, mais tarde, dinheiro dentro das bolsas, pelo que as mesmas teriam sido abertas.

A versão da existência do punhal foi, no entanto, contrariada durante a sessão desta quarta-feira por um dos moradores da Cova da Moura, que assistiu ao momento em que foram disparados tiros para o ar e outros dois na direção de Odair Moniz.

"Em nenhum momento", disse o morador ouvido em tribunal, viu uma faca nas mãos de Odair. "Não tinha nada nas mãos", acrescentou, dizendo também que Odair "não fez nenhum movimento brusco" e que tinha apenas uma bolsa consigo.

Este morador gravou ainda o momento em que foram chegando mais elementos da PSP, até à chegada da VMER, tendo garantido que um dos agentes presentes pediu que parasse de filmar.

Odair Moniz, de 43 anos e residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir à PSP e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.

Segundo a acusação do Ministério Público, datada de 29 de janeiro de 2025, o homem cabo-verdiano foi atingido por dois projéteis - um primeiro na zona do tórax, disparado a entre 20 e 50 centímetros de distância, e um segundo na zona da virilha, disparado a entre 75 centímetros e um metro de distância.

No despacho do Ministério Público não é referida qualquer ameaça com uma arma branca por parte de Odair Moniz.

Bruno Pinto, em liberdade e suspenso de funções há cerca de um ano, está acusado de homicídio, crime cuja pena pode ir de oito a 16 anos de prisão.

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