Bruno Pinto, em liberdade e suspenso de funções há cerca de um ano, está acusado de homicídio, crime cuja pena pode ir de oito a 16 anos de prisão.
Dois agentes da PSP que estiveram na Cova da Moura na madrugada em que Odair Moniz morreu com dois tiros disparados por um polícia apresentaram esta quarta-feira versões diferentes sobre a existência de uma faca no local.
O agente da PSP que fez manobras de reanimação a Odair Moniz disse esta quarta-feira não ter visto qualquer faca, tal como disse durante os interrogatórios feitos durante a investigação e que constam no processo.
"Se estivesse, tinha retirado [faca]. Não ia deixar uma arma branca debaixo do corpo", disse Tiago Martins durante a sessão desta quarta-feira que decorreu no Tribunal de Sintra.
O agente, que na altura da morte de Odair Moniz pertencia à divisão da Amadora, explicou também que, quando se aproximou do corpo, só viu uma entrada de bala, sem se aperceber que tinham sido disparados dois tiros, tendo depois chegado os elementos da Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER).
O agente José Gouveia afirmou ter visto uma faca junto à bolsa de Odair Moniz, quando o corpo tinha sido já levado pelos elementos de emergência médica.
"O cidadão já não se encontrava no local quando visualizei a bolsa e a faca. Já tinha sido levado para a ambulância", disse José Gouveia perante o coletivo presidido pela juíza Ana Sequeira, acrescentando não ter visto ninguém mexer na bolsa, uma vez que, durante o auxílio médico, este agente estava virado para outra rua e a ambulância tapava a sua visão.
Em relação ao sítio onde estaria a faca, o agente José Gouveia disse que a mesma estava perto do sítio onde estava o corpo de Odair Moniz.
Na sessão desta quarta-feira foi ainda ouvida a superintendente que na altura desempenhava funções na Inspeção da Polícia de Segurança Pública e que falou com o agente acusado de matar Odair Moniz poucas horas depois dos disparos, mas o tribunal acabou por não permitir que a mesma falasse sobre a conversa que teve com o agente Bruno Pinto.
Isabel Canelas explicou apenas que falou com o agente que está agora a ser julgado pelo crime de homicídio poucas horas depois dos disparos e que foi enviada para a esquadra da Amadora para elaborar um relatório inspetivo que fez em menos de 24 horas.
"Não havia qualquer expediente elaborado a essa hora. Estávamos a curtas horas do acontecimento", disse em resposta ao procurador Pedro Pereira e à juíza presidente do coletivo Ana Sequeira, acrescentado que "foi uma conversa tida voluntariamente".
"Perguntei ao agente Bruno Pinto se queria falar comigo, algo que o Bruno Pinto anuiu e foi-me esclarecendo quanto à sua versão dos factos", disse Isabel Canelas.
Odair Moniz, de 43 anos e residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir à PSP e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.
Segundo a acusação do Ministério Público, datada de 29 de janeiro de 2025, o homem cabo-verdiano foi atingido por dois projéteis - um primeiro na zona do tórax, disparado a entre 20 e 50 centímetros de distância, e um segundo na zona da virilha, disparado a entre 75 centímetros e um metro de distância.
No despacho do Ministério Público não é referida qualquer ameaça com uma arma branca por parte de Odair Moniz.
Bruno Pinto, em liberdade e suspenso de funções há cerca de um ano, está acusado de homicídio, crime cuja pena pode ir de oito a 16 anos de prisão.
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