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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

AI LISBOA... ÉS MINHA

“Ai Lisboa que és de SãVicente/De toda a gente/Que te quer tanto/Ai Lisboa que também és minha/És alfacinha/És um encanto”. Os lisboetas cantam com prazer a Grande Marcha de Lisboa 2004, da autoria de Carlos Alberto Vidal.

05 de junho de 2004 às 00:00

“É a melhor melodia dos últimos dez anos”, esta a opinião partilhada sem hesitações por muitos lisboetas com quem o CM se cruzou, na quinta-feira à noite, no pavilhão n.º 1 de Benfica, na primeira de três noites de exibições das marchas deste ano.

Num recinto com capacidade para 2400 espectadores, a assistência deveria rondar as 1600 pessoas.

O espectáculo começou eram 21h57, quase com uma hora de atraso, devido a um contratempo surgido com os acabamentos das roupas da marcha do Alto do Pina.

Todas as marchas deram o seu melhor mas há cinco momentos a marcar a noite: os grilos da Voz do Operário a cantar; a originalidade do Beato com o jogo de bola; o namoro à janela com beijos roubados à sucapa de Marvila; a luz e o movimento que a Bica trouxe à exibição e o guarda-roupa de sonho das mulheres do Lumiar.

Um reparo generalizado de que é exemplo o desabafo de uma marchante de Marvila ao afirmar-nos: “O local por onde entramos não tem altura. Os arcos não cabem lá”.

Na noite de ontem exibiram-se as marchas da Graça, Alcântara, Alfama, Bairro Alto, Castelo, Penha de França e Campo de Ourique.

VOZ DO OPERÁRIO

O grupo infantil mostrou vendedores de grilos e saloias do século XX. Arcos simples e a criançada a dançar no arraial de Santo António.

BEATO

Bolas de carne e osso dançaram. A dado passo, aliviados de algumas peças de roupa, eles e elas jogaram à bola com meiguice e Santo António guardou a baliza.

MARVILA

Vestidos de verde e rosa os pares namoraram às janelas floridas. Depois os jardineiros alindaram um jardim de Lisboa e as raparigas divertiram-se a colher flores.

BICA

O branco, preto e prata pôs a marcha a brilhar. Nota de destaque a princesa gigante que se ergue no centro do recinto. Dançam e cantam enquanto trabalham no rio.

ajuda. A marcha popular genuína entrou no recinto para recordar a Lisboa antiga, campestre e domingueira, onde se matava o tempo com jogos populares e danças.

LUMIAR

Um guarda-roupa feminino de sonho. A festa animou quando o cavalinho se colocou no centro do pavilhão a dar música a um grupo sempre em movimento.

alto do pina. Doze painéis gigantes funcionaram como os retratos do bairro. Vestidos de vermelho e preto começaram por marcar com palmas o compasso musical.

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