Na quarta-feira à tarde, o Rio Sado galgou as margens e começou a inundar a baixa de Alcácer do Sal, sobretudo a Avenida dos Aviadores.
A Câmara de Alcácer do Sal reabriu este domingo ao trânsito a Avenida dos Aviadores e a frente ribeirinha, encontrando-se também transitáveis todas as estradas do concelho que foram afetadas pelo mau tempo dos últimos dias.
"Reabrimos novamente hoje de manhã a avenida e a ribeirinha da cidade. As estradas do concelho que estavam submersas também já estão todas transitáveis", disse à agência Lusa António Grilo, vice-presidente do município do distrito de Setúbal.
Segundo o autarca, que é também o vereador que tem o pelouro da Proteção Civil, as vias reabertas à circulação rodoviária são as que dão acesso às povoações de São Romão e Santa Catarina, assim como para Casebres e entre Vale do Guizo e Arez.
"Pode ser uma situação transitória", alertou António Grilo, explicando que depende da subida do nível do Rio Sado e realçando que, este domingo à noite, na sede de concelho, "é expectável que volte a ser encerrada ao trânsito a Avenida dos Aviadores e toda a frente ribeirinha".
Já o Bairro do Forno da Cal, que chegou a estar inacessível, com os moradores isolados, tem agora acesso condicionado.
"Conseguimos chegar ao bairro através do acesso provisório que foi construído", graças a uma saída mais elevada até à Estrada Nacional 10 (EN10), anunciada pelo município na sexta-feira e lembrada hoje pelo vereador.
Quatro barragens estão este domingo a efetuar "descargas controladas" para o Rio Sado, concretamente Pego do Altar, Vale do Gaio, Odivelas e Campilhas, para que possam ter cota de armazenamento livre para a chuva prevista para os próximos dias, explicou António Grilo.
"Temos aqui uma janela de oportunidade para promover descargas preventivas nas barragens, que nos permitam ter capacidade de encaixe nessas mesmas barragens para o cenário expectável que se aproxima na próxima madrugada", sublinhou.
De acordo com o vereador, na madrugada de segunda-feira, "apesar de ser uma situação muito dinâmica, a previsão atual é que venha uma massa de água considerável e muito vento".
O vice-presidente alertou ainda os habitantes para, ao final deste dia, quando forem novamente encerradas ao trânsito zonas da cidade, retirarem os automóveis, respeitarem a sinalização e salvaguardarem os seus bens, fechando portas e janelas e protegendo as entradas, de habitações e comércios com sacas de areia fornecidas pela autarquia.
No sábado à noite, o comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, disse à Lusa que o trânsito tinha sido cortado na Avenida dos Aviadores, porque se previa uma nova subida do Rio Sado e possível inundação da baixa da cidade, o que afinal não se verificou.
Na quarta-feira à tarde, o Rio Sado galgou as margens e começou a inundar a baixa de Alcácer do Sal, sobretudo a Avenida dos Aviadores, tendo o município, preventivamente, evacuado o lar da AURPICAS e transferido os utentes para outra estrutura da mesma instituição na zona alta e alguns foram para casa de familiares.
As inundações provocadas pela subida do rio causaram prejuízos em diversas casas e estabelecimentos comerciais localizados naquela zona da cidade, cujo valor ainda está a ser avaliado.
O Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil foi ativado pela câmara, na quinta-feira. A presidente da câmara, Clarisse Campos, tem reivindicado a inclusão de Alcácer do Sal na situação de calamidade decretada pelo Governo.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. Este sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 deste domingo para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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