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ALUNAS PROSTITUTAS

O Ministério Público está a investigar a alegada actividade de prostituição de duas raparigas com 13 e 14 anos de idade, alunas da Escola EB 2/3 de Gandarela, em Celorico de Basto.

29 de agosto de 2003 às 00:00

A investigação está a pôr em alvoroço a vila, em face do número elevado de indivíduos que terão recorrido aos serviços das duas adolescentes.

Segundo o presidente do Conselho Executivo, Horácio Lima, as faltas sucessivas às aulas despoletaram o alerta sobre três alunas de uma turma do sexto ano de escolaridade. Apesar dos populares de Gandarela garantirem que a situação era conhecida na terra há mais de um ano, só em Janeiro os responsáveis da escola suspeitaram que duas das raparigas se dedicavam à prática da prostituição numa zona de obras de construção da auto-estrada Guimarães-Cabeceiras (A7), enquanto uma outra menina de 12 anos terá apenas acompanhado as colegas, sem nunca participar nos actos sexuais.

Testemunhos de colegas e funcionários da escola deram conta que as raparigas se prostituiriam durante a tarde, ausentando-se entre as 16h00 e as 18h00. No entanto, a alegada prática de prostituição decorria também ao fim-de-semana, comentando-se em Gandarela que levariam entre 10 a 20 euros por cada serviço.

O Conselho Executivo decidiu em Março confrontar as mães das miúdas com a suspeita e promover a intervenção de técnicos da Segurança Social e da psicóloga escolar. No entanto, as denúncias e confrontações com a situação não terão dissuadido as raparigas, de nada valendo a vigilância montada por funcionários do estabelecimento de ensino. Por isso, os responsáveis da EB 2/3 decidiram participar o caso ao Ministério Público, que acabou proibir as adolescentes de se encontrarem e de frequentarem os locais de alegada prostituição.

Nas reuniões com técnicos da Segurança Social e a psicóloga da escola, as adolescentes evitaram ao máximo falar do assunto, mas acabaram por revelar que os actos sexuais teriam lugar junto ao estaleiro das obras da A7, apontando na altura trabalhadores da auto-estrada como os seus clientes. No entanto, a investigação do Ministério Público levou à conclusão que a actividade de decorreu com adultos de Gandarela.

Segundo fonte do Ministério Público, contactado pelo CM, os indivíduos acusados poderão ser indiciados criminalmente pela prática de pedofilia no caso da rapariga de 13 anos, mas levantou muitas dúvidas sobre a tipologia do eventual crime sobre a rapariga de 14 anos, considerando a possibilidade de não haver abuso de inexperiência da menor.

MAIS DE 30 HOMENS

Apesar de falar abertamente da alegada prostituição das duas adolescentes da EB 2/3, a população de Gandarela opta por não se identificar, mantendo a reserva de anonimato. Os populares dão nota que cerca de 30 indivíduos da terra (incluindo "pais de família") terão já sido apontados como prováveis clientes das raparigas, mas há quem garanta que serão muitos mais, fazendo alusão à alegada “intensa actividade” das miúdas.

SEM JUÍZO

Os populares de Gandarela condenam os adultos que se terão envolvido com as raparigas, considerando que "eles viram-nas a crescer, desde bebés". Dizem que “é de gente sem consciência nenhuma”. Mas apontam também muitas críticas às famílias das raparigas em causa, sublinhando o lamento por uma delas (alegadamente filha de empresário de construção civil) ser "de uma família com muito dinheiro, mas sem juízo nenhum".

MÃES COM REACÇÕES DISTINTAS

As alunas da Escola EB 2/3 de Gandarela envolvidas na alegada prática de prostituição são provenientes de famílias com diferentes condições económicas. As progenitoras das raparigas reagiram também de forma bem distinta quando confrontadas com o problema por parte do Conselho Executivo da Escola, da psicóloga escolar e dos técnicos da Segurança Social. A situação que mais chocou o grupo de apoio às crianças e suas famílias foi a reacção de indiferença manifestada pela progenitora de uma das raparigas - apontada por populares como fazendo parte de uma família financeiramente abonada, com casa e automóveis de luxo. Em contrapartida, a mãe da outra miúda visada (pertencente a uma família muito carenciada) terá reagido com grande surpresa e choque, tendo optado por inscrever a filha noutra escola. Por seu turno, a mãe da miúda de 12 anos decidiu mesmo abandonar a vila, tendo partido para o Alentejo, em face do impacto social negativo da situação e para afastar a filha das colegas.

ESTUDANTES COM FRACO APROVEITAMENTO ESCOLAR

As duas raparigas frequentavam o sexto ano da EB 2, 3 da Gandarela, mas, de acordo com presidente do Conselho Executivo, Horácio Lima, ambas constituem casos de "manifesto insucesso escolar".

Segundo Horácio Lima, as duas jovens "não demonstravam interesse pela escola e pelas matérias leccionadas e faltavam frequentemente às aulas", tendo sido precisamente o excessivo número de faltas que levou os responsáveis escolares a suspeitar que algo de estranho se passava. Horácio Lima chama, no entanto, a atenção para o facto de que, "apesar das duas raparigas terem um fraco aproveitamento escolar, em conversa com os outros colegas, demonstravam sempre ter mais experiência a outros níveis, nomeadamente extra-curriculares".

Segundo aquele responsável, a partir do início do ano, o comportamento das duas miúdas passou a ser conhecido de professores, funcionários e da maioria dos alunos da escola. Porém, nos últimos tempos notava-se um progressivo afastamento das colegas da mesma turma, na sua maioria mais novas, em relação às duas miúdas, que por sua vez, andavam quase sempre juntas. A psicóloga da escola e as técnicas de Segurança Social tiveram diversas reuniões com as duas miúdas, no sentido de tentar apurar as razões do seu comportamento, mas as jovens fechavam-se sempre e só revelaram pormenores ao fim de várias sessões, sobretudo após a intervenção do Ministério Público.

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