É o sexto de nove filhos de uma família do Porto, onde cresceu e viveu até aos 20 anos. Em 1964, rumou a Lisboa para estudar Direito “por exclusão de partes”. “A ideia era ir para o Corpo Diplomático e a via mais apropriada era o Direito”, explica Manuel Magalhães e Silva, que rapidamente percebeu que “andar nos tribunais de manhã à noite” era o que queria fazer.
A meio do curso começou a trabalhar numa companhia de seguros, após a morte dos pais, para “não sobrecarregar os irmãos”, e quando se licenciou foi convidado a permanecer na empresa. Em 1974, começou a exercer Advocacia num escritório de Lisboa, em regime de partilha de despesas com outros colegas, entre os quais o já falecido Nunes de Almeida, que presidiu ao Tribunal Constitucional. “Em 74/75, era possível a um jovem advogado começar a trabalhar num escritório e era viável, hoje não é”, diz o candidato pela lista B ao cargo de bastonário da Ordem dos Advogados, que acabou o curso de Direito em Lisboa com média de 15: “Mas não basta ter boas classificações. É preciso ter sorte”.
Em 1985, Vera Jardim, Jorge Sampaio e Castro Caldas desafiaram--no para “juntar os trapos” e entrou na sociedade Jardim, Sampaio Caldas & Associados, onde permaneceu até à actualidade. Em 1988, suspendeu a actividade para assumir o cargo de secretário-adjunto para os Assuntos de Justiça do Governo de Macau e, em 1996, acompanhou Jorge Sampaio rumo ao Palácio de Belém, mas não prescindiu da Advocacia. “Só abdiquei de 5% do meu tempo, e não fui remunerado”, conta o antigo assessor para os assuntos da Justiça de Jorge Sampaio. “Foi uma experiência riquíssima porque me permitiu perceber como é que o poder funciona”, assegura Magalhães e Silva, que se filiou no PS em 1987, no dia seguinte à grande derrota nas legislativas. Apesar de ser do conhecimento público as ligações ao PS, Magalhães e Silva assegura ter amigos também no PSD, CDS e PCP e critica mesmo a política do executivo: “95 por cento da política de justiça deste Governo é um disparate e, em tudo o que for necessário, enfrentarei o Governo”.
O candidato a bastonário diz que “disciplina partidária têm os membros do Governo” e promete que as suas escolhas políticas não terão qualquer interferência no cargo de bastonário – “Amigos, amigos, Ordem à parte”, diz, e acrescenta: “Nunca me apercebi que a Ana Gomes ou o João Cravinho tivessem algum problema em manifestarem-se contra posições do seu partido ou do Governo”. Se for eleito para suceder a Rogério Alves, o advogado garante mesmo que, logo no início de Janeiro, vai recomendar uma paralisação aos jovens advogados, a quem o Governo deve dinheiro das defesas oficiosas.
Apaixonado pela Advocacia e pela Cozinha – tem cerca de duas centenas de livros de todo o Mundo –, o advogado é adepto do Futebol Clube do Porto e padrinho do filho mais velho de Artur Jorge. Quanto aos seus filhos, nenhum seguiu os seus passos: um é repórter de imagem e o outro é gestor.
Manuel Magalhães e Silva nasceu no Porto a 28 de Dezembro de 1944 e é advogado há 34 anos. Foi Secretário-Adjunto para os Assuntos de Justiça do Governo de Macau entre 1988 e 1990. De 1996 a 1998 desempenhou as funções de vogal do Conselho Superior da Ordem dos Advogados e integrou a Comissão de Revisão do Código de Processo Penal 98. Foi consultor do Presidente da República Jorge Sampaio.
A MONARQUIA PERDEU-SE NA HISTÓRIA
“A monarquia é uma criação da história e perdeu-se na história”, diz Magalhães e Silva, que na sua juventude fez parte do grupo de monárquicos independentes. Depois do 25 de Abril, entendeu que era “completamente absurdo fundar um partido”: “Então isto era um albergue espanhol”.
-Assegurar a eficaz representação da Ordem dos Advogados
- Combater a proletarização da Advocacia através da limitação no acesso à profissão e da implementação de uma política de criação de oportunidades para advogados por parte da Ordem
- Criar uma estrutura formal no seio da Ordem - Instituto dos Jovens Advogados - para garantir apoio aos jovens advogados
- Combater o exercício ilegal ou irregular da Advocacia, designadamente da procuradoria ilícita
- Estabelecer regras deontológicas para as sociedades de advogados e promover a efectiva fiscalização da Ordem em relação aos escritórios
- Propor ao Governo a presença permanente, e em turno, de jovens advogados, nas esquadras, nos estabelecimentos prisionais e centros educativos.
- Promover a prestação de consulta jurídica gratuita em todas as comarcas
Há proletarização de advogados nas grandes sociedades? Como combater?
MAGALHÃES E SILVA
A proletarização traduz-se em haver 23% de advogados que têm rendimentos mensais inferiores a 500 Euros; e não é sobretudo um problema das grandes sociedades onde as remunerações dos jovens advogados são, conhecidamente, maiores. Será a restrição de acesso à profissão, a par com a obrigatoriedade de intervenção de advogados nos meios alternativos de resolução de conflitos e no simplex que poderá resolver a situação.
MENEZES LEITÃO A Advocacia, hoje, é plural: escritórios tradicionais, advogados de empresa, sociedades de advogados – há lugar para todos. A relação das sociedades com os advogados que contratam é controversa e a jurisprudência dirá se tem natureza laboral ou não – mas as legítimas expectativas destes, quanto à sua manutenção e progressão na carreira, devem sempre ser tuteladas.
ANTÓNIO MARINHO
Há proletarização de advogados em algumas sociedades, grandes, médias e pequenas. É necessário criar, com a intervenção da OA, um regime específico de contratações que salvaguarde os interesses das partes e a dignidade e independência da Advocacia. A situação que hoje existe não pode continuar, sob pena de se generalizar o regime de vínculo laboral como acontece com os bancos e seguradoras que têm advogados ao seu serviço.
GARCIA PEREIRA
Todos conhecem casos de Colegas, sobretudo de advogados jovens, sujeitos a condições quer de remuneração quer de cargas horárias quer ainda de preservação da autonomia técnica, inteiramente indignas da nossa classe, verificando-se casos desses em escritórios de advogados isolados e no âmbito de grandes e médias Sociedades. Deve-se definir, por instrumento de regulação colectiva, condições mínimas de trabalho dos Advogados por conta de outrem.
5 POR CENTO
A maioria dos jovens advogados, 55 %, não concorda com o modelo de funcionamento da Ordem, segundo um inquérito recente
POR QUANTO TEMPO É ELEITO O BASTONÁRIO?
O bastonário é eleito por um período de três anos e não é admitida a sua reeleição consecutiva para um terceiro mandato
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