Ex-gestora do Hospital da Guarda, julgada na Guarda, nega ter cometido alguma ilegalidade.
Ana Manso, ex-deputada do PSD e presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG) entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012, alegou esta terça-feira no Tribunal da Guarda, onde está a ser julgada pelo crime de abuso de poder no exercício de funções de gestora hospitalar, que não decidiu sozinha a nomeação do próprio marido para auditor interno daquela entidade, quando era presidida pela mulher.
"Não cometi ilegalidade absolutamente nenhuma, cometi um erro. Assumo, porque p gabinete juridico não me alertou para o facto", disse Ana Manso em tribunal. O despacho, com a data de 21 de fevereiro de 2011, demorou dois meses a ser aprovado pela tutela e foi assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira, e deliberava a transferência de Francisco Manso da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco para a Guarda. "Somos casados há 40 anos e temos 35 de carreira hospitalar em Braga, Coimbra, Castelo Branco e na Guarda. Duvido que haja colegas que desconheçam que somos casados", alegou.
O cargo que lhe foi atribuído foi o de auditor interno, que consta dos estatutos da ULSG mas que à época estava vago. Miguel Martins, vogal do conselho de administração presidido por Ana Manso, elaborou uma lista com lugares por preencher para que Francisco Manso pudesse escolher. Em tribunal, o administrador confirmou que toda a equipa sabia da relação conjugal, mas ninguém chumbou o nome nem sequer avisou para o conflito de interesses. O advogado Jorge Neto, antigo colega de Ana Manso no parlamento, explicou que "quem faz o controlo das contas da instituição é o fiscal único, nomeado pelo Ministério das Finanças; e não o auditor e marido da presidente".
Além do "interesse público" deliberado no pedido de mudança de Francisco Manso para a Guarda, houve também "razões pessoais e familiares", reconheceu o ex-auditor, ouvido ontem como testemunha no processo. A mulher justificou-se com a "falta de quadros qualificados" e os que existem, não querem vir para a Guarda". O atual presidente da ULS Carlos Rodrigues "também se queixa do mesmo", alega Ana Manso.
O "excesso de trabalho" justificado pela construção do novo bloco hospitalar foi a razão pela qual a administração aceitou mais um gestor hospitalar, recordou o vogal Miguel Martins. Para além disso, "estava em vigor o impedimento de contratar sem autorização da tutela" e um reforço "era necessário e foi visto com bons olhos".
A integração do marido na estrutura que presidia foi apenas uma das polémicas de Ana Manso enquanto presidente da Unidade Local de Saúde da Guarda. Foram onze meses cheios de casos, que terminaram em novembro de 2012, com a saída de toda a equipa diretiva por ordem do ministro Paulo Macedo. Também a permanência de cadáveres dentro das instalações do Hospital da Guarda durante a noite "abanou" a imagem pública. Ontem em Tribunal, Ana Manso queixou-se que houve "uma certa imprensa que foi atrás dos interesses instalados afetados por medidas de gestão".
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